Tensão Aumenta nas Negociações de Paz
O presidente russo, Vladimir Putin, acusou a Ucrânia de realizar um ataque com drones em frente à sua residência oficial, o que levou Moscou a reconsiderar sua postura nas negociações para o fim do conflito na Ucrânia. A declaração, feita na segunda-feira (29/12), surgiu durante uma conversa telefônica entre os líderes Russia e Estados Unidos, onde o tema principal era discutir questões pendentes para um acordo de paz.
Conforme informações divulgadas pelo governo russo, Putin relatou que a Ucrânia teria lançado 91 drones de longo alcance em direção à sua residência, localizada na região de Novgorod, a aproximadamente 500 quilômetros de Moscou. A Ucrânia, por sua vez, negou veementemente as acusações, que considerou infundadas e orquestradas para desviar a atenção de questões mais urgentes.
O Kremlin revelou que o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, ficou “chocado” com a versão apresentada por Putin sobre o suposto ataque. A Casa Branca confirmou a ligação, descrevendo-a como “positiva”, mas não forneceu detalhes adicionais sobre o conteúdo da conversa ou as declarações do governo russo.
Ajustes na Estratégia Russa
Putin, em sua declaração, indicou que a Rússia poderia mudar a abordagem adotada até então por seus negociadores, que estavam propensos a buscar um acordo definitivo para encerrar as hostilidades. Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, apoiou a afirmação de Trump de que o fim da guerra estaria “mais próximo do que nunca”, mas reiterou a exigência russa pela retirada das tropas ucranianas das regiões do Donbass ainda sob controle de Kiev.
Em contrapartida, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, desmentiu as afirmações russas, sugerindo que Moscou estaria tentando criar uma justificativa para dificultar as negociações de paz e intensificar os ataques contra o território ucraniano. Ele ainda acusou o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, de desinformação, afirmando que as alegações sobre o ataque com drones não têm fundamento.
Novas Propostas de Segurança
Na mesma segunda-feira, Zelensky revelou detalhes sobre sua reunião com Trump no último domingo (28) na Flórida. Segundo o presidente ucraniano, o líder norte-americano ofereceu garantias de segurança para a Ucrânia por um período inicial de 15 anos, com a possibilidade de extensão. No entanto, Zelensky expressou o desejo de um prazo maior, de até 50 anos, embora Washington ainda não tenha se manifestado oficialmente sobre essa proposta.
Até o fechamento deste artigo, tanto o Pentágono quanto o governo ucraniano não haviam dado declarações sobre possíveis alterações nas negociações em decorrência do relato do suposto ataque. A situação permanece tensa, e as repercussões desse episódio podem impactar diretamente o futuro das tratativas de paz.
