Crime Brutal em Remanso
O início de 2026 foi marcado por uma tragédia impactante em Remanso, no norte da Bahia. Um casal de mulheres foi encontrado morto na manhã do dia 1º de janeiro, poucas horas depois de serem vistas celebrando a virada do ano em um evento público da cidade. Imagens que circulavam nas redes sociais mostravam as duas sorrindo, dançando e comemorando o novo ano, momentos antes de uma brutalidade que chocou a população local.
As vítimas, que mantinham um relacionamento amoroso, eram conhecidas e queridas na comunidade, o que tornou ainda mais dolorosa a repercussão do caso. O assassinato rapidamente extrapolou as fronteiras do município, alimentando um debate nacional sobre a violência de gênero, a lesbofobia e o lesbocídio, que se refere a mortes motivadas por ódio contra mulheres lésbicas.
Investigações e Suspeitas
A Polícia Civil revelou que as investigações estão em andamento, e um suspeito foi identificado. Este indivíduo, que também foi encontrado sem vida no local do crime, era ex-companheiro de uma das vítimas. A motivação do homicídio ainda está sendo apurada, mas está sendo tratado como feminicídio, segundo a legislação brasileira.
A morte deste casal precisa ser examinada através de uma lente que reconheça a interseção entre a misoginia e a lesbofobia. Mulheres lésbicas estão expostas a uma dupla vulnerabilidade, sendo alvo tanto da violência machista quanto do preconceito relacionado à sua orientação sexual. Quando um ex-parceiro comete tal ato, é uma mensagem brutal que penaliza a escolha feminina de amar outra mulher.
Contexto de Violência Letal
Este crime em Remanso não é um evento isolado e faz parte de um cenário mais amplo de violência contra mulheres LGBTQIA+ no Brasil. Recentemente, a sociedade foi abalada pelo assassinato de Ana Caroline Souza Campelo, de 21 anos, em Maranhãozinho, que foi sequestrada e encontrada morta em condições atrozes. Além disso, o caso de Vitória, uma adolescente de 16 anos, assassinada em São Paulo pelo pai da namorada, trouxe à tona a urgência de se discutir a lesbofobia e o feminicídio no país.
A Invisibilidade dos Dados
Ativistas e especialistas apontam que muitos dos dados sobre mortes violentas de mulheres LGBTQIA+ não refletem a realidade. Muitas dessas ocorrências são mal classificadas ou simplesmente ignoradas. Segundo o Grupo Gay da Bahia, em 2024, foram registrados 291 assassinatos de pessoas LGBTQIA+, com 11 lésbicas. O LesboCenso Nacional, feito pela Liga Brasileira de Lésbicas, revelou que 78,61% das mulheres lésbicas entrevistadas já experimentaram atos de lesbofobia, e 24,76% relataram ter sido vítimas de violência sexual.
Demandas por Justiça
Familiares e amigos das vítimas têm se mobilizado para exigir justiça. Homenagens, atos simbólicos e manifestações estão se espalhando nas redes sociais, clamando por respostas rápidas das autoridades. O crime expõe a necessidade urgente de políticas públicas eficazes que não apenas assegurem a proteção das mulheres, mas que também promovam educação e conscientização sobre as questões de gênero.
No Congresso Nacional, o Projeto de Lei 3.983/2024, apresentado pela deputada Carla Ayres (PT-SC), pretende incluir o lesbocídio como qualificadora no Código Penal, um avanço significativo para o reconhecimento dessa forma específica de violência.
Um Chamado Coletivo por Justiça
A tragédia em Remanso é um apelo urgente por um enfrentamento efetivo à violência letal contra mulheres LBTQIA+. O episódio destaca que celebrar a vida e amar não deveriam resultar em luto. A memória das vítimas se transforma em um clamor coletivo por justiça, respeito e pelo direito fundamental de viver sem medo.
