Cenário Alarmante no Amazonas
Em janeiro, o Amazonas sempre se caracteriza por chuvas intensas e pelo aumento do nível dos rios. Tradicionalmente, essa época do ano marca o retorno da navegabilidade nas vias fluviais, proporcionando alívio para as comunidades ribeirinhas. No entanto, entre 2025 e 2026, essa realidade não se concretizou como era esperado. Apesar das chuvas, os rios da região não subiram no ritmo habitual. Em diversas localidades, o nível da água permanece baixo, tornando a navegação dificultosa.
Essa situação evidencia que a seca, embora menos severa, continua a se manifestar no Amazonas, transformando-se em uma ocorrência recorrente. O fenômeno não é mais isolado e aponta para alterações climáticas significativas, que trazem um ônus elevado à população local. Quando o nível das águas não se eleva, os primeiros a sofrer são os ribeirinhos, agricultores, pescadores e comerciantes que dependem desses rios para sua subsistência.
A complexidade do problema ultrapassa a capacidade de resolução individual dos municípios amazonenses. Embora as prefeituras façam esforços e o governo do estado busque ajudar, a ausência de uma atuação decisiva por parte do governo federal dificulta o enfrentamento de uma crise dessa magnitude. Para a população local, o rio não é apenas um recurso: é uma via de transporte, um meio de comércio, um serviço de saúde e, principalmente, a fonte de sustento. Quando os níveis de água caem, o isolamento se intensifica e os custos de vida aumentam significativamente.
A Constituição brasileira estabelece a responsabilidade do país em reduzir as desigualdades regionais. Porém, quando o Amazonas enfrenta secas fora de época e não recebe uma resposta governamental adequada, a disparidade entre o centro econômico do Brasil e o interior amazônico se amplia. A seca pode ser um fenômeno natural, mas a negligência que o Amazonas enfrenta é resultado de decisões políticas que precisam ser urgentemente revistas.
