Uma Nova Proposta de Consumo Coletivo
Em São Paulo, o Gomo se destaca como o primeiro ‘mercado sem patrão’, onde o conceito de pertencimento é levado a sério. Para ingressar nessa cooperativa, os interessados devem adquirir uma cota única de R$ 100 e dedicar três horas de trabalho na loja a cada 28 dias. As atividades incluem desde reposição de mercadorias até limpeza e funções administrativas, proporcionando uma operação mais econômica, que se reflete em preços reduzidos para os cooperados. Embora o mercado esteja aberto ao público em geral, os membros desfrutam de descontos que visam atrair novos participantes. O objetivo é aumentar o número atual de 358 cooperantes para 700, momento em que o acesso será restrito apenas a eles.
Um Modelo de Consumo que Fortalece a Comunidade
Letícia Zero, uma das idealizadoras do projeto, ressalta que a cooperativa tem como meta unir um grande número de pessoas em busca de acesso a produtos e serviços em larga escala, alinhados aos interesses coletivos. “Todos que compram a cota são, simultaneamente, donos, consumidores e trabalhadores”, afirma Letícia, destacando que todas as funções são desempenhadas pelos cooperantes. A proposta é fomentar um forte senso de pertencimento e criar uma comunidade centrada na economia solidária.
Os cooperantes têm direito a voto e podem sugerir produtos a serem incluídos nas prateleiras, além de influenciar na seleção de itens que não devem ser comercializados. Para que um produto faça parte do mix da loja, ele precisa ter aceitação entre os cooperantes e garantir uma boa rotatividade nas vendas.
Compromisso com a Sustentabilidade e Produtores Locais
Outra prioridade do Gomo é oferecer um hortifrúti agroecológico e livre de agrotóxicos, fortalecendo pequenos produtores locais. Atualmente, a cooperativa trabalha com oito fornecedores de frutas, legumes e verduras, incluindo a Cooperapas e a Associação de Agricultores da Zona Oeste, ambos focados na agricultura urbana. A mercearia conta com cerca de 30 fornecedores, oferecendo opções que vão de produtos orgânicos a convencionais, respeitando a diretriz de sempre incluir alternativas orgânicas.
O coordenador de compras do Gomo, Rene Lima, explica que a cooperativa realiza um mapeamento constante de pequenos produtores. “Buscamos garantir a alta qualidade dos produtos, priorizando cadeias produtivas justas e sustentáveis, além de opções convencionais que sejam acessíveis para todos”, destaca.
Um Modelo Inspirador para o Mercado Local
O funcionamento do mercado é otimizado, com turnos que começam 15 minutos antes do fim do turno anterior, garantindo a continuidade das operações. Além dos cooperantes, quatro funcionários contratados ajudam a manter a loja em atividade. A estrutura do espaço foi montada com a colaboração dos próprios cooperantes, que contribuíram com suas habilidades, como marcenaria e tecnologia.
Apesar de sua operação já ativa, o mercado ainda enfrenta desafios, como prateleiras vazias devido à complexidade do cadastro dos produtos, que ainda está em andamento.
Uma Comunidade em Crescimento e Educação Coletiva
Letícia ressalta que não há planos imediatos para abrir novas unidades, mas a ideia é inspirar a criação de mercados semelhantes por outras cooperativas de consumo: “A Gomo tem um forte pilar educacional. Queremos disseminar um novo modelo, fundamentado em princípios de economia solidária, oferecendo cursos, rodas de conversa e visitas a produtores locais”, explica.
André Torquato, um morador da região e ator, compartilha sua experiência positiva com o projeto: “Unir a comunidade é uma forma eficaz de combater o individualismo. Desde o primeiro contato, me senti atraído pelo projeto e me apaixonei pela proposta”. Para ele, o diferencial do Gomo vai além dos preços competitivos; é a construção de um laço comunitário que torna a experiência de compra mais significativa e envolvente.
