O Controle do Mercado de Gás no Amazonas
Em Manaus e na maior parte da Região Norte, a distribuição de gás GLP (Gás Liquefeito de Petróleo), conhecido como gás de cozinha, é dominada por apenas duas empresas: a Fogás, vinculada ao grupo Bemol da família Benchimol, e a Amazongás, pertencente ao grupo Garcia. Essas empresas operam em seis dos sete estados da região, formando um dos maiores oligopólios do setor de gás do Brasil.
A escassez de concorrência tem levado a práticas abusivas de preços, com margens de lucro significativamente superiores às observadas por empresas que atuam em outras regiões do país. Uma reportagem publicada pelo ATUAL neste domingo revela que os preços do gás de cozinha no Amazonas estão entre os mais altos do Brasil.
Segundo a investigação, as distribuidoras ficam com mais que o dobro do valor que é cobrado pelas empresas de produção de gás. Para ilustrar, a Petrobrás recebe R$ 32,63 por um botijão de 13 quilos, enquanto as distribuidoras vendem o mesmo botijão por R$ 73. Os revendedores, por sua vez, acabam recebendo centavos pela entrega, o que compromete suas margens de lucro.
Essa situação se traduz em um aumento significativo de custos para os consumidores. Em Manaus, uma dona de casa pode acabar pagando até R$ 135 por um botijão de gás de 13 quilos, devido aos altos preços de entrega e à falta de opções no mercado. A comparação com os combustíveis é reveladora: enquanto o preço do gás vendido pela refinaria representa 26% do custo final, as distribuições e revendas ficam com impressionantes 58,8% desse valor, um número muito superior ao 23,4% registrado para os combustíveis.
