Uma Lenda do Futebol Amazônico
Giorgian Daniel De Arrascaeta Benedetti, atualmente um dos ícones do futebol uruguaio, surgiu profissionalmente em 2012. No entanto, há mais de três décadas, um jogador já encantava os torcedores na Amazônia, mais precisamente em Parintins. Embora De Arrascaeta tenha sido fundamental para o Flamengo conquistar 17 títulos em seis anos, incluindo três Libertadores e três Brasileirões, o verdadeiro pioneiro no estilo de jogo foi Osvaldino Pereira Nogueira, carinhosamente conhecido como Caçapava.
Nascido no dia de Natal de 1965, Caçapava era celebrado por seu talento. No cenário esportivo local, ele era chamado de “Pequeno Príncipe”. Assim como Arrascaeta, ele se destacava no meio-campo, tratando a bola com uma habilidade que a tornava quase invisível para os adversários. Sua maneira de hipnotizar os marcadores, fingindo-se lento para, em seguida, deixá-los no chão e finalizar com maestria, era um espetáculo à parte.
Arte em Campo
Os gols e jogadas de Caçapava eram verdadeiramente obras de arte. Ele não apenas realizava gols; ele os desenhava, transformando o campo em sua tela. Sua trajetória como jogador de seleção e seu sucesso em clubes como o Sul América, JAC e Esporte Clube são prova de sua qualidade ímpar. Por onde passou, conquistou títulos, deixando uma marca indelével em cada equipe.
Com cerca de 60 anos, mesmo após décadas de carreira, o craque parintinense ainda estava ativo. Sua última grande partida ocorreu no Natal do ano passado, quando se reuniu com antigos companheiros que brilharam nos anos 80, 90 e 2000.
Um Legado que Transcende Gerações
Em 2014, durante a Copa do Mundo em Manaus, assistindo ao renomado jogador italiano Pirlo em ação contra a Inglaterra, não pude deixar de compará-lo a Caçapava. O domínio que ambos exibiam no meio de campo era impressionante. Contudo, a chegada do craque uruguaio ao cenário futebolístico tornou a comparação ainda mais pertinente.
Durante minha juventude, tive a oportunidade de assistir a Caçapava no Tupizão nos anos 80. Seu talento era inegável e deixou uma impressão duradoura nos corações dos fãs. Caçapava faleceu na última quinta-feira, dia 16, deixando para trás um legado que certamente continuará a inspirar futuras gerações em Parintins e além.
