Denúncias de Fraude e Acordos Judiciais
O Banco Máxima, recentemente renomeado para Banco Master sob a gestão de Daniel Vorcaro, já enfrentava sérias acusações de fraudes financeiras. Após a venda da instituição, Saul Dutra Sabbá, um dos ex-proprietários, foi condenado pela Justiça Federal de São Paulo a três anos de prisão por gestão fraudulenta. Segundo os autos do processo, o ex-dirigente teria criado ganhos fictícios entre 2014 e 2016, simulando a valorização de investimentos para ocultar prejuízos nos demonstrativos financeiros.
As investigações indicaram que Sabbá utilizou manobras contábeis irregulares para disfarçar a insuficiência de capital do banco. A denúncia, que partiu do Ministério Público Federal em 2021, baseou-se em informações coletadas pelo Banco Central e investigações conduzidas pela Polícia Federal. Os investigadores também apontaram que a Reag, uma empresa ligada ao caso, teria sido utilizada para facilitar essas fraudes.
O juiz que é responsável pelo caso detalhou que houve irregularidades na concessão de empréstimos a uma empresa do setor imobiliário, que visavam reduzir os prejuízos semestrais do Banco Máxima S/A, especialmente no final de 2014. Esses empréstimos foram utilizados por terceiros para adquirir cotas de um fundo gerido pela Reag, do qual o banco era o único cotista. Essa manobra levanta questões sérias sobre a gestão ética e a transparência financeira da instituição.
Em dezembro de 2025, Sabbá firmou um acordo com o Ministério Público Federal para evitar as consequências penais relacionadas à gestão fraudulenta. Este acordo prevê que Sabbá reconheça as irregularidades e pague uma multa de R$ 100 mil, embora precise ainda ser aprovado pela Justiça Federal. O caso continua em segredo judicial, o que dificulta o acesso a mais detalhes.
A Ascensão e Queda do Banco Master
A trajetória de Daniel Vorcaro no Banco Máxima começou em 2017, inicialmente com uma participação minoritária. Em 2018, ele assumiu o controle total da instituição, que passou a se chamar Banco Master em 2021. No entanto, sua administração não foi isenta de polêmicas. O Banco Master foi liquidado em novembro de 2025, um dia após Vorcaro ser preso durante a operação Compliance Zero, que investiga uma suposta fraude de R$ 12,5 bilhões envolvendo a venda de títulos de baixo valor do banco ao BRB.
As ações tomadas pelo Banco Central demonstram a seriedade da situação financeira do Master, que agora enfrenta um cenário de desconfiança e incerteza. A liquidação foi um reflexo das irregularidades apontadas e das investigações que desvelaram um emaranhado de fraudes e má gestão que geraram perdas significativas para os investidores e para o sistema financeiro como um todo.
Os desdobramentos desse caso são complexos e revelam um quadro preocupante sobre a governança em instituições financeiras. A situação alerta sobre a necessidade de uma supervisão regulatória mais rigorosa, além de práticas de transparência que possam garantir a integridade das operações bancárias. Especialistas do setor destacam que o caso do Banco Master é um exemplo gritante da importância da ética na gestão financeira e da responsabilidade dos diretores em manter a saúde de suas instituições.
