Descompasso Entre Marketing e Necessidade
A gestão liderada por David Almeida à frente da educação infantil em Manaus revela uma disparidade alarmante entre o que é anunciado e o que realmente ocorre nas creches municipais. Apesar da grande mobilização em torno de campanhas publicitárias que injetaram R$ 60,3 milhões dos cofres públicos em 2021, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) trouxe à tona um dado estarrecedor: investimento zero na construção de novas creches naquela mesma período. Essa discrepância não é apenas uma falha administrativa, mas sim uma decisão política que impacta diretamente as crianças e suas famílias, que se veem sem um espaço adequado para o desenvolvimento e aprendizado.
A situação é ainda mais preocupante quando se consideram as denúncias de desvios de R$ 9,3 milhões destinados à merenda escolar e os R$ 93,7 milhões gastos em aluguéis de imóveis, muitos deles pertencentes a familiares de secretários municipais. Com contratos exorbitantes sendo firmados, o direito à educação básica fica à mercê de interesses escusos. Além disso, a perda de R$ 53,3 milhões do Fundeb, resultado de falhas na administração educacional, compromete ainda mais a viabilidade de um sistema que já opera no limite de suas capacidades.
A Repercussão da Falta de Vagas
Com a escassez de creches, as famílias enfrentam um ciclo vicioso que perpetua a pobreza. A ausência de um ambiente seguro e educativo para as crianças não só prejudica seu desenvolvimento, mas também mantém suas famílias em situação de estagnação. Pais e responsáveis, desiludidos com as promessas do prefeito, já ameaçam acionar o Conselho Tutelar na busca por vagas. Embora Almeida afirme que há oportunidades nas creches, a realidade parece contar uma história diferente, com muitos se sentindo obrigados a recorrer a instâncias externas para garantir o acesso à educação.
O Sindicato dos Professores de Manaus, conhecido como Aspronsindical, não ficou em silêncio e classificou como enganosas as declarações do prefeito sobre a disponibilidade de vagas nas instituições de ensino. Essa crise na educação infantil evidencia que Manaus não precisa de mais promessas vazias, mas sim de ações efetivas e humanizadas que priorizem o bem-estar de suas crianças e garantam a dignidade dos trabalhadores.
Outros Destaques em Manaus
Em meio a essa situação crítica na educação, outros assuntos também têm chamado a atenção. O presidente da Assembleia Legislativa do Estado (ALE), Roberto Cidade, se manifestou a favor da proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital, em resposta a recentes incidentes envolvendo um influenciador na plataforma Roblox.
Além disso, o Supremo Tribunal Federal (STF) acatou uma denúncia e tornou ré uma mulher que ofendeu verbalmente o ministro Flávio Dino durante um voo. Para complicar ainda mais o quadro, o Rio Negro, em Manaus, continua a manter um padrão estável, conforme constatado no terceiro boletim de alerta hidrológico do Serviço Geológico do Brasil (SGB), que não apontou alterações significativas.
Fim da Linha para o Açaí?
Por outro lado, a cultura local ganha um impulso positivo com a recente aprovação da Lei nº 15.330, de 2026, que reconhece oficialmente o açaí como fruta nacional. Essa medida promete fortalecer a identidade e a soberania em torno do produto, beneficiando mais de 17,5 mil agricultores familiares e extrativistas que atuam na cadeia produtiva da região.
Em um outro eixo de preocupação, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspendeu três suplementos da marca Cycles Nutrition, alegando a presença de substâncias que não haviam sido submetidas a avaliações de segurança. Essa ação reforça a necessidade de uma vigilância mais rigorosa sobre os produtos disponíveis no mercado, visando à proteção da saúde pública.
