Dificuldades no Setor Educacional
O ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, está no centro de uma polêmica que envolve o descredenciamento de instituições educacionais e sanções do governo federal. A Faculdade de Ciências e Tecnologias de Natal (Faciten), onde ele foi sócio, teve seu credenciamento cancelado pelo Ministério da Educação (MEC) em novembro de 2025 devido a falhas na prestação de serviços. Outra instituição ligada ao ministro, a Faculdade de Campina Grande, está suspensa do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e não está operando desde 2024.
Procurado para comentar a situação, o ministro não se manifestou. Seu irmão, Renato Feliciano, sócio-administrador da mantenedora da Faculdade de Campina Grande, destacou que Gustavo não tem mais vínculos com as empresas e que as dívidas trabalhistas estão sendo negociadas.
Trajetória Empresarial e Políticas
A trajetória empresarial de Feliciano é marcada por desafios. Ele aparece como diretor-presidente da União de Ensino Superior de Campina Grande (Unesc-PB) na plataforma e-MEC, embora a instituição não funcione desde pelo menos 2024. Apesar de ainda constar como ativa, a Unesc-PB foi suspensa do Fies em julho de 2025 por não ter enviado informações para o Censo da Educação Superior, e enfrenta um histórico de atrasos em salários e pagamento de FGTS.
Um ex-professor da instituição revelou que os atrasos nos pagamentos ocorrem desde 2012. Ele expressou indignação ao relatar que, em meio aos problemas financeiros da faculdade, o ministro postou no Instagram sobre uma viagem ao Japão para assistir a um jogo de futebol. O impacto da pandemia também foi significativo, resultando na demissão de funcionários e na redução drástica no número de alunos, que caiu de 2.600 para cerca de 300.
Irregularidades e Ações Trabalhistas
O Tribunal Regional do Trabalho da 13ª Região registra mais de 300 ações trabalhistas relacionadas à Unesc-PB. Uma dessas ações, que foi a julgamento favorável ao autor, relata a falta de pagamento de salários e rescisão trabalhista. Outra ex-professora, que atuou entre 2016 e 2017, afirmou que trabalhou sem registro em carteira e recebeu R$ 24 mil em indenização após um acordo em 2023.
Além disso, ex-funcionários acionaram a Justiça em 2022 e 2023 devido a atrasos em pagamentos de acordos judiciais. A Unesc-PB está na lista de devedores da União, com um débito total de R$ 2,59 milhões, sendo R$ 1,6 milhão relacionados a dívidas previdenciárias e R$ 338,8 mil a multas trabalhistas.
Extensão Familiar e Setor Imobiliário
A família Feliciano está fortemente presente no setor educacional, com vínculos também na União de Ensino Superior da Paraíba (Unipb), responsável pela Faciten, que foi descredenciada após um processo administrativo em 2024. A Unipb possui débitos de R$ 334 mil, principalmente por dívidas trabalhistas. O nome de Soraya Rouse Santos Araújo está atualmente vinculado à instituição, tendo ela assumido a empresa quando as faculdades já não estavam operando.
Além de sua atuação no ramo educacional, Feliciano também é sócio da GCF Construções e Empreendimentos Imobiliários, localizada em Campina Grande. A construtora, que já entregou diversos projetos residenciais, também enfrenta problemas financeiros, possuindo um passivo de aproximadamente R$ 200 mil, a maior parte por dívidas previdenciárias. Recentemente, a GCF teve seu registro transferido para o nome de Soraya Rouse Santos Araújo.
Descredenciamento: O Que Isso Significa?
O descredenciamento de instituições educacionais é considerado a sanção mais severa do MEC, aplicada quando se identificam deficiências irreversíveis na qualidade do ensino ou na gestão financeira das instituições. O processo envolvendo a Faciten foi iniciado em setembro de 2025, sob sigilo, e intensifica as preocupações relacionadas à administração do ministro Feliciano, que está cercado de questionamentos sobre sua capacidade de gerir o turismo no Brasil em meio a crises em suas empresas.
