Detenção do suspeito em meio a indignação popular
MANAUS (AM) – No último sábado, 24, imagens que circularam nas redes sociais mostram a prisão de Fernando Batista de Melo, de 48 anos, principal suspeito do assassinato de seu filho, Manoel Neto, de apenas 3 anos. O crime, ocorrido na quinta-feira, 22, dentro do banheiro da casa da família no bairro Cidade de Deus, Zona Norte de Manaus, chocou a comunidade local. A captura de Fernando aconteceu no Parque Mosaico, após as equipes das Rondas Ostensivas Cândido Mariano (Rocam) realizarem um cerco, com suporte de outras forças de segurança.
A confirmação da prisão foi feita pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), juntamente com o secretário de Segurança Pública, coronel Vinícius Almeida. Nos vídeos divulgados, é possível observar o momento em que o suspeito é colocado em uma viatura policial, cercado por um grupo de moradores que demonstravam forte indignação. Essa situação exigiu a presença ostensiva da polícia para garantir a segurança do detido, evitando qualquer tipo de agressão.
No interior da viatura, Fernando estava visivelmente abalado, com ferimentos nos membros inferiores e um comportamento descrito como apático. O confronto verbal entre ele e os populares continuou até que o veículo fosse fechado, fazendo com que a equipe policial se deslocasse rapidamente para a delegacia.
Crime brutal e investigação
A morte de Manoel Neto ocorreu na casa do avô paterno, onde a criança costumava ficar às quintas-feiras. Inicialmente, a suspeita era de que o menino tivesse sido assassinado com facadas, mas essa hipótese foi descartada pelos peritos do Instituto de Criminalística do Amazonas (IC). Durante uma coletiva de imprensa, o delegado Adanor Porto anunciou que a causa da morte foi asfixia mecânica. “O laudo apontou a ausência de qualquer lesão perfurocortante ou contusão, confirmando que a morte foi resultado de asfixia”, declarou o delegado, ressaltando que a presença de sangue contribuiu para mal-entendidos nas primeiras horas da investigação.
As investigações revelaram que Fernando Batista de Melo e a mãe de Manoel, que não teve sua identidade divulgada, estavam em um relacionamento desde 2021 até dezembro de 2022. Segundo a polícia, ele deixou a casa logo no início de janeiro e não prestou mais assistência aos filhos. Horas antes do crime, o pai havia ido discutir questões relacionadas à pensão alimentícia com a ex-companheira, e durante essa conversa, supostamente ameaçou-a com uma faca, em um episódio registrado em vídeo. Contudo, a polícia esclareceu que essa ameaça ocorreu em um contexto diferente do assassinato do garoto.
De acordo com a cronologia apresentada pelas autoridades, Manoel estava sob os cuidados do avô no momento do crime. “Por volta das 18h, Fernando chegou à residência do pai e levou a criança para o banheiro”, informou a polícia. Depois de um tempo sem ouvir o neto, o avô conseguiu abrir a porta e encontrou a criança já sem vida. Após o crime, o suspeito trancou o pai na casa e fugiu em uma motocicleta.
O coronel Thiago Balbi, subcomandante da Polícia Militar do Amazonas (PM-AM), forneceu detalhes sobre a resposta rápida das equipes de segurança. Segundo ele, as informações sobre o caso foram disseminadas rapidamente através da rede de comunicação da polícia, o que levou ao acionamento de equipes especializadas. A motocicleta usada por Fernando foi encontrada abandonada nas proximidades do Parque Mosaico na mesma noite do crime.
Histórico de violência e o inquérito
A Polícia Civil revelou que Fernando reside em Manaus há aproximadamente 20 anos e possui registro de um processo por violência doméstica em 2017. “Há um histórico de agressões contra mulheres, o que reforça o perfil violento do autor”, afirmou o delegado-geral. O inquérito está sob a responsabilidade do delegado Alatanor, que está à frente das diligências. “Todas as equipes estão em plena mobilização, analisando câmeras de segurança e trocando informações com a Polícia Militar”, completou, informando que o crime está sendo investigado como homicídio qualificado, em circunstâncias que impediram a defesa da criança.
