Empresário Detalha Relação com o BRB e Documentação Irregular
Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, admitiu em depoimento à Polícia Federal que continuou a realizar negócios com o Banco de Brasília (BRB) mesmo após perceber a falta de documentos referentes às carteiras de crédito da Tirreno. O depoimento ocorreu no final de 2025 e trouxe à tona questões importantes sobre a origem e a legalidade dos ativos envolvidos.
As carteiras englobam um montante expressivo de R$ 12,2 bilhões e estão sob investigação devido a indícios de fraude. De acordo com as autoridades competentes, esses ativos se originaram na Tirreno, passaram pelo Banco Master e, posteriormente, chegaram ao BRB, o que levantou sérias suspeitas sobre a regularidade das operações.
Na ocasião do depoimento, Vorcaro revelou que o Banco Central (BC) havia solicitado esclarecimentos sobre a origem desses ativos. Ele mencionou que, mesmo ciente da documentação incompleta, houve um entendimento com o BRB sobre a situação. Segundo suas palavras, “entendeu com o BRB” que faltavam documentos importantes, mas as instituições decidiram prosseguir com as operações.
“Fiquei sabendo posteriormente que não tinham vindo todas as documentações e, a partir daí, a gente começa a ir atrás”, explicou Vorcaro. Ele fez questão de ressaltar que a ausência de documentação não foi total, pois havia uma base de documentos apresentada, embora alguns itens cruciais estivessem faltando.
Apesar de ser questionado sobre a continuidade das negociações com o BRB, o empresário não hesitou em confirmar sua participação: “Sim, fazia parte do negócio.” Isso implica que, mesmo diante das irregularidades, as transações continuaram, levantando sérias questões sobre a responsabilidade de todos os envolvidos.
Definições de Taxas e Alterações no Processo do Banco Central
Em seu depoimento, Vorcaro também comentou sobre o papel que ele e o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, desempenharam na definição das taxas e condições gerais das carteiras ligadas à Tirreno. Ele destacou que as operações técnicas foram geridas por equipes especializadas, o que levanta a questão da responsabilidade na gestão das informações e do controle de qualidade.
O empresário ainda mencionou que, em determinado momento, a diretoria de fiscalização do BC parecia buscar uma solução negociada para o Banco Master. No entanto, ele alegou que uma mudança interna dentro do órgão regulador afetou a condução do processo, o que pode ter implicações significativas para o entendimento do que ocorreu.
Apesar das dificuldades enfrentadas, Vorcaro negou qualquer falha institucional por parte do Banco Central. Ele assegurou que a área de supervisão do órgão manteve um acompanhamento contínuo do caso, e a expectativa agora é que a investigação da Polícia Federal traga clareza sobre as operações e a responsabilidade dos envolvidos. A PF já havia ouvido o diretor de fiscalização do BC, Ailton de Aquino, no contexto da investigação.
As revelações feitas por Vorcaro durante seu depoimento levantam questões cruciais sobre a transparência e a regulamentação no setor bancário, além de reforçarem a necessidade de uma supervisão rigorosa para prevenir a ocorrência de fraudes e irregularidades financeiras. O desenrolar desse caso poderá impactar não apenas as instituições envolvidas, mas também a confiança do público no sistema bancário nacional.
