Desafios Enfrentados pelos Municípios de Minas Gerais
O prefeito de Patos de Minas e atual presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), Luiz Eduardo Falcão, compartilhou sua visão sobre os desafios que os municípios mineiros enfrentam em entrevista exclusiva ao programa 98 Talks, transmitido na terça-feira, 27 de janeiro. Durante a conversa, Falcão abordou temas como a privatização da Copasa, a segurança pública e a necessidade urgente de maior autonomia e recursos para as prefeituras.
Um dos pontos destacados por Falcão foi a situação das forças de segurança em Minas Gerais. Embora o estado seja reconhecido nacionalmente pela eficácia de suas forças de segurança, o presidente da AMM alertou para a escassez de efetivo, equipamentos adequados e recursos financeiros. Ele enfatizou que essa falta de suporte acaba pressionando os municípios a arcar com custos operacionais, incluindo aluguel de imóveis, pagamento de funcionários e fornecimento de serviços básicos como água e luz para a manutenção das atividades policiais. “Hoje, enfrentamos uma carência de equipamento adequado e efetivo. Os municípios acabam arcando com esses custos”, comentou.
Além disso, Falcão mencionou o papel das empresas privadas na complementação dos recursos disponíveis, ressaltando a importância de uma colaboração pública-privada para enfrentar as deficiências financeiras. Ele acredita que a parceria com a iniciativa privada pode ajudar a suprir algumas das lacunas deixadas pelo estado.
Privatização da Copasa: Ponto de Vista da AMM
Outro tópico relevante da entrevista foi a privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). Falcão afirmou que a AMM está atenta ao processo de privatização, buscando assegurar que todos os prefeitos sejam incluídos nas discussões e que os contratos firmados sejam cumpridos integralmente. “Quem assina o contrato com a Copasa é o prefeito. A população quer contas acessíveis e serviços que funcionem, independentemente de ser privatização ou não”, explicou. Ele citou ações em Patos de Minas, como a redução de 15% nas tarifas de água e a substituição de tubulações de amianto, como exemplos de como os municípios devem ter autonomia para decidir suas prioridades.
O presidente da AMM também defendeu um pacto federativo mais equilibrado, propondo que os repasses financeiros para os municípios sejam mais justos. Ele ressaltou que atualmente apenas 10% dos impostos pagos pelos cidadãos ficam nos municípios, enquanto o restante é destinado à União e aos estados. Essa situação, segundo Falcão, compromete a capacidade dos municípios de investir em infraestrutura e serviços essenciais para a população.
Futuro Político e Compromisso com os Municípios
Questionado sobre especulações a respeito de uma possível candidatura ao governo de Minas, Falcão reafirmou que seu foco está em promover a gestão eficiente nos municípios e no desenvolvimento do estado. “Atualmente, meu grupo é formado por prefeitos. Estamos todos juntos, enfrentando os mesmos desafios. É vital discutirmos um projeto de longo prazo, de pelo menos 20 anos, que priorize inovação, tecnologia e a qualidade de vida dos cidadãos”, finalizou.
