BR-174: Uma Estrada que Pede Socorro
A BR-174, principal ligação terrestre de Roraima com o restante do Brasil, volta a ser motivo de preocupações. Após dois anos de reparos, os problemas se acumulam, e a situação crítica da rodovia se torna uma realidade para quem trafega entre Boa Vista e Manaus. Segundo Remídio Monai, presidente do Sindicato das Empresas de Transportes Rodoviários Interestadual, Intermunicipal, Fretamento, Turismo e Escolar de Roraima (Setrans-RR), é necessário um trabalho de restauração completo. “A estrada tem mais de 30 anos. Quando surgem buracos, são tapados com remendos, mas isso é um problema crônico”, afirma.
Em 2025, as rodovias de Roraima movimentaram cerca de 127,9 milhões de dólares (aproximadamente R$ 662,7 milhões) em exportações, de acordo com a Federação das Indústrias do Estado (Fier). Contudo, o estado das estradas impacta diretamente na logística e nos custos operacionais, refletindo no bolso dos caminhoneiros e na economia local.
Recentemente, em 2023, a situação se agravou com motoristas presos em atoleiros na Terra Indígena Waimiri Atroari, gerando longas filas e atrasos. A pressão sobre os responsáveis pelo transporte fez com que o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) fosse acionado para resolver os pontos mais críticos. No entanto, muitos desses problemas ainda persistem, especialmente nas áreas pertencentes a Roraima, onde buracos dominam diversas partes da rodovia.
Pacientes como Francisco Correa, um caminhoneiro de 30 anos, relatam que a passagem pela reserva indígena que antes levava duas horas e meia agora consome pelo menos uma hora a mais. “As despesas também aumentaram. Antes, eu gastava 700 litros de combustível; hoje, são 850. Isso resulta em um custo adicional de R$ 3 mil a R$ 4 mil a mais por mês”, explica.
Dificuldades na Estrada e Falta de Sinalização
Outro motorista, Fabrício Sousa Santos, de 34 anos, que realiza a rota semanalmente entre Boa Vista e Manaus, destaca a ausência de sinalização nas áreas mais críticas da pista. “É tranquilo dirigir aqui, mas, em alguns trechos, encontramos poças que não têm aviso. À noite, isso se torna um verdadeiro desafio”, comenta. Ele afirma que a viagem de ida pode ocorrer em um dia, mas a volta se torna impossível devido aos buracos.
A vegetação densa também é uma preocupação para motoristas. Árvores e mato que invadem a pista dificultam a visibilidade e a drenagem, situação que pode resultar em acidentes fatais. Monai sugere que o DNIT deve realizar a poda em um raio de pelo menos cinco metros para evitar esse tipo de problema.
A pesquisa mais recente da Confederação Nacional dos Transportes (CNT) avalia que 62,8% da BR-174 apresenta condições regulares, um aumento alarmante em comparação aos 40,7% registrados em 2023. Isso indica que, se não houver intervenções, a situação pode piorar rapidamente.
Os Riscos Aumentam para a Comunidade Local
Moradores que utilizam a BR-174 diariamente, como a professora Keila Paula, de 42 anos, observam que a situação se deteriora. “Os buracos aumentam a cada dia. É um trajeto muito perigoso”, observa. Frederico de Castro, eletricista de 33 anos, confirma essas preocupações e acrescenta que, nos últimos dois anos, muitos acidentes aconteceram devido às más condições da estrada.
A falta de acostamento também gera insegurança. Motoristas que enfrentam problemas mecânicos não têm onde parar, expondo-se a situações de risco. Monai ressalta a necessidade urgente de manutenção da végétation e das sinalizações ao longo da rodovia.
Além dos buracos e da falta de sinalização, a ponte sobre o rio Anauá apresenta rachaduras que se alargam há anos, evidenciando a negligência nas manutenções necessárias. Condutores frequentemente se veem em situações de risco ao trafegar por esse ponto crítico.
O motorista de Rorainópolis, que frequentemente faz a rota para Boa Vista, se queixa do atraso na viagem, que pode chegar a duas horas devido aos buracos. “Nós levávamos cerca de seis horas; agora são sete ou oito. Isso significa mais gastos com combustível e manutenção do carro”, relata.
A Resposta do DNIT e o Futuro da BR-174
Até o fechamento desta matéria, a assessoria do DNIT não se manifestou sobre as reclamações e a situação crítica da rodovia. A falta de respostas e ações efetivas levanta dúvidas sobre o futuro da BR-174 e a segurança dos motoristas que dependem dela para se deslocar.
