Epidemia Rara no Amazonas
O estado do Amazonas confirmou três casos da Doença de Haff, todos relacionados ao consumo de peixe, conforme aponta o Boletim Epidemiológico divulgado nesta quinta-feira (29) pela Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-RCP). Esse boletim apresenta um panorama sobre a rabdomiólise associada à doença, que afeta a população local.
No total, foram notificados nove casos de rabdomiólise em três municípios do estado. Dentre estes, três foram classificados como compatíveis com a Doença de Haff, ocorrendo exclusivamente no município de Itacoatiara, na zona urbana. Dois dos casos foram registrados em junho e um em dezembro, sendo que dois pacientes pertenciam à mesma família.
O Que é a Doença de Haff?
A Doença de Haff é uma condição rara que se manifesta com a destruição das fibras musculares, conhecida como rabdomiólise. Essa condição provoca a liberação de substâncias na corrente sanguínea que podem causar complicações graves, como lesões renais. Os sintomas costumam aparecer poucas horas após o consumo de certos tipos de peixe ou crustáceos, independentemente de como esses alimentos foram preparados, seja cozidos, fritos ou assados.
Os principais sintomas incluem dor intensa nos músculos, fraqueza, rigidez muscular e urina escura. Segundo a investigação epidemiológica da FVS-RCP, os casos relatados no Amazonas mostraram sintomas como fraqueza muscular, dores intensas e urina escura.
Resultados de Exames e Prevenção
Os exames realizados mostraram níveis alarmantes da enzima creatinofosfoquinase (CPK), com uma média de 6.400 µ/L. Os sintomas nos pacientes começaram cerca de nove horas após o consumo do pescado. Tatyana Amorim, diretora-presidente da FVS-RCP, enfatizou a necessidade de atenção contínua a esta condição, apesar do número reduzido de casos.
“Mesmo com o número reduzido de casos, a Doença de Haff exige atenção permanente, pois está associada ao consumo de pescado, um alimento amplamente consumido pela população amazonense. A vigilância ativa é fundamental para proteger a saúde da população e orientar medidas de prevenção”, destacou Tatyana.
A coordenadora do Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde do Amazonas (Cievs-AM), Roberta Danielli, complementou que todas as notificações foram minuciosamente investigadas em conjunto com as vigilâncias municipais. “Em todos os casos compatíveis, houve relato de consumo de pacu, preparado principalmente de forma frita ou assada e ingerido no ambiente domiciliar”, explicou.
Essa situação ressalta a importância de uma vigilância rigorosa e informa a população sobre os riscos associados ao consumo de certos tipos de peixe. O alerta é um chamado à população para que se mantenha atenta à origem dos alimentos e às suas preparações, a fim de evitar a manifestação de doenças raras como a Doença de Haff.
