Denúncias de Atrasos e Coação no Hospital Beneficente Português
MANAUS (AM) – A insatisfação no Hospital Beneficente Português do Amazonas (HPAM) se intensifica, com denúncias de funcionários e ex-funcionários sobre salários atrasados desde novembro de 2024, férias não pagas desde abril de 2023 e a suspensão dos depósitos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) nos últimos meses. Em declarações feitas à REVISTA CENARIUM nesta quarta-feira, 4, os trabalhadores também acusam a direção do hospital de pressioná-los para não participarem de um protesto agendado para a manhã de hoje, em frente ao estabelecimento, localizado no Centro de Manaus.
Um ex-funcionário, que preferiu se manter no anonimato, revelou que os problemas financeiros começaram a se agravar desde que a empresa Caring Soluções em Saúde LTDA assumiu a administração do hospital, em maio de 2024. Em um áudio enviado à reportagem, ele destacou que aproximadamente 200 funcionários, incluindo equipes de serviços, foram demitidos sem a quitação das verbas rescisórias e dos salários devidos. Ele ainda afirmou que deixou a instituição sem receber o que lhe era devido e já acionou a Justiça.
Segundo ele, “essa empresa [Caring] assumiu em maio de 2024. Até então, os funcionários recebiam seus salários, mesmo com dificuldades. Após a entrada deles, começaram a demitir sem pagar as devidas verbas. Foi uma verdadeira demissão em massa, com 200 funcionários dispensados sem pagamento.”
Pressão e Intimidação contra Funcionários
Outra funcionária, também resguardando sua identidade, confirmou que diretores do hospital estariam coagindo os funcionários a não se envolverem em manifestações que exigem o pagamento dos salários atrasados, como o protesto desta quarta-feira. “Alguns diretores estão pressionando os funcionários para que não participem dos protestos, não reclamem sobre os salários e não falem da empresa. O medo é de serem demitidos, suspensos ou advertidos,” relatou.
Uma terceira funcionária corroborou essa versão, informando que aqueles que expressam desejo de participar dos protestos recebem advertências formais, sendo orientados a assinar tais documentos. Em um áudio enviado à reportagem, ela argumentou que a gestão da unidade fornece informações incorretas a órgãos de fiscalização, como o Ministério Público do Trabalho (MPT), ao afirmar que não possui sede em Manaus.
“A Caring diz ao MPT que não tem sede em Manaus, mas dentro do hospital há funcionários da empresa. Eles recebem pagamentos das operadoras, mas nunca há dinheiro suficiente para pagar os funcionários. Quando tentamos buscar explicações, somos intimidados pela diretoria, que proíbe qualquer questionamento sobre salários. Nesses casos, somos advertidos e forçados a assinar a advertência,” descreve.
Retornos Irregulares e Falta de Pagamentos
A funcionária também relatou que a empresa apenas pagou 50% do salário referente a novembro e que receber esse valor já é considerado um “milagre”. Segundo a mensagem de voz, os trabalhadores que não aceitam essa situação enfrentam duas opções: pedir demissão sem receber o que lhes é devido ou permanecer no emprego sem receber integralmente. Ela ressaltou que, apesar de o FGTS estar sendo descontado mensalmente, os depósitos não estão sendo realizados, e não há recursos disponíveis para buscar pagamento na Justiça.
“Desde que a nova empresa assumiu, muitos funcionários foram demitidos. Eles prometiam que iriam regularizar os pagamentos, mas não estão cumprindo com os acordos, pois a equipe está reduzida. Os funcionários estão saindo porque não conseguem sustentar suas famílias e a empresa não paga em dia,” detalhou.
Ela ainda completou: “Pagaram 50% de novembro e dizem que devemos nos contentar com isso, como se fosse um milagre ter recebido. Se alguém não está satisfeito, tem duas opções: pedir demissão ou ter paciência e continuar sem receber. Se optar por sair, não recebe nada, e se ficar, também não.”
Mobilização e Protesto Agendado
O Sindpriv-AM, sindicato que representa trabalhadores em serviços de saúde no Amazonas, convocou a categoria para uma manifestação nesta quarta-feira, 4, às 7h, em frente ao Hospital Beneficente Português, na Avenida Joaquim Nabuco, nº 1359, no Centro de Manaus. A mobilização prevê uma paralisação de advertência, com 70% dos trabalhadores se unindo ao protesto, enquanto 30% permanecerão em atividade para garantir que o atendimento à população não seja totalmente comprometido. O anúncio foi feito por meio das redes sociais da entidade.
