Análise Destaca Zonas Mais Vulneráveis ao Desmatamento
Um recente estudo do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), divulgado na quarta-feira (4), revelou que as unidades de conservação e terras indígenas do Amazonas estão entre as mais ameaçadas pela devastação na Amazônia. O levantamento, referente ao período de outubro a dezembro de 2025, visa identificar os territórios mais vulneráveis ao avanço do desmatamento, utilizando uma metodologia que divide a região em células de 10 km², permitindo mapear onde a devastação já ocorre e onde há riscos iminentes.
Três áreas de conservação estaduais no Amazonas figuram entre as dez mais ameaçadas, sendo elas: a Área de Proteção Ambiental de Nhamundá, a Área de Proteção Ambiental Guajuma e a Área de Proteção Ambiental Caverna do Maroaga, localizada em Presidente Figueiredo. De acordo com o relatório, essas regiões concentram ocorrências de desmatamento em seu entorno, o que aumenta o risco de invasões e degradação dentro das áreas protegidas.
O estudo também destaca a pressão significativa sobre terras indígenas no Amazonas, incluindo a Terra Indígena Waimiri Atroari (AM/RR), a Terra Indígena Alto Rio Negro (AM), a Terra Indígena Yanomami (AM/RR), a Terra Indígena Nhamundá-Mapuera (AM/PA), a Terra Indígena Cué-Cué/Marabitanas (AM) e a Terra Indígena Andirá-Marau (AM/PA). A pesquisadora do Imazon, Bianca Santos, comenta que a recorrência dessas áreas nas análises evidencia que a destruição não é um evento isolado, mas um processo contínuo que demanda ação imediata.
“Quando esses territórios aparecem de forma recorrente nos levantamentos, fica evidente que a destruição não é pontual, mas sim o resultado de um processo contínuo. Esse cenário exige ações imediatas e contínuas de fiscalização para impedir a consolidação dessas invasões, além de medidas efetivas de proteção que garantam os direitos dos povos originários”, enfatiza Bianca.
A diretora do Programa de Áreas Protegidas do Imazon, Jakeline Pereira, ressalta a importância da preservação dessas áreas, que são estratégicas para o equilíbrio climático e para a subsistência das comunidades locais. “Essas zonas, além de abrigar espécies únicas da fauna e da flora, são fundamentais para o equilíbrio climático e fornecem produtos florestais madeireiros e não madeireiros, como a castanha, que sustentam a população local. Sua preservação é essencial em escala global”, aponta Jakeline.
Contexto Regional do Desmatamento
O relatório do Imazon também evidencia que o avanço do desmatamento representa uma ameaça em toda a Amazônia Legal, impactando unidades de conservação e terras indígenas em diversos estados. O Pará é o estado que concentra a maior parte das áreas protegidas sob pressão e ameaça, mas o estudo mostra que o problema se espalha por toda a região, afetando Amazonas, Acre, Maranhão e Roraima. Essa distribuição revela que a devastação não é localizada, mas sim um processo contínuo que se expande sobre uma variedade de territórios.
Enquanto a situação se agrava, a necessidade de uma fiscalização eficaz e de políticas públicas que garantam a proteção dessas áreas se torna cada vez mais urgente. A preservação dessas zonas, não apenas para a biodiversidade, mas também para o bem-estar das comunidades que delas dependem, é um desafio que exige atenção imediata e contínua, tanto em nível local quanto global.
