Obra Inaugural do Estúdio Romahs
O quadrinhista parintinense Romahs Mascarenhas, com uma trajetória de 14 anos na equipe de roteiristas da Maurício de Sousa Produções, lança neste domingo (8), às 18h30, sua nova graphic novel, intitulada ‘Akitãi e os Caçadores de Mapinguari’. O evento será realizado no Encruzilhada Bar, localizado na Rua Ferreira Pena, nº 145, no centro de Manaus. Além do lançamento da obra, a noite contará com apresentações musicais dos artistas Famorelo e José Choque, que trarão ao público melodias tocadas com violino, harpa e violoncelo.
Explorando o Universo das Lendas Indígenas
‘Akitãi e os Caçadores de Mapinguari’ é uma obra de ficção fantástica que utiliza como pano de fundo as lendas, mitos e cosmogonia das etnias indígenas brasileiras. Com forte apelo regionalista e folclórico, a graphic novel dá início a uma saga épica, cuidadosamente construída por Romahs, que se baseia em uma extensa pesquisa sobre as mitologias da Amazônia.
Uma das principais referências para o desenvolvimento da trama é o livro ‘Antes o Mundo Não Existia’, uma coletânea de narrativas míticas que retrata a criação do mundo segundo a cosmogonia do povo Dessana, uma etnia típica da região do Alto Rio Negro, no Amazonas. De acordo com a tradição desse povo, a origem do universo é atribuída a Yebá Beló, a Avó do Mundo, que teria surgido do nada e, com isso, criado a ‘Maloca do Mundo’ e a humanidade, por meio de sementes espalhadas por um demiurgo que viajava em uma cobra-canoa.
A Jornada de Akitãi na Amazônia Encantada
A narrativa gira em torno de Akitãi, um jovem que mora com sua mãe e irmã em uma casa antiga no centro de Manaus. Sua vida sofre uma reviravolta após uma tragédia, que o impulsiona a embarcar em uma jornada por uma Amazônia mágica. Ao longo de sua trajetória, Akitãi se depara com figuras míticas, incluindo Mátinta Perê, Curupira, Mãe D’água, Cobra-Grande e o enigmático Mapinguari.
Uma Estética que Dialoga com o Internacional
No aspecto visual, a graphic novel adota o estilo clássico das publicações de quadrinhos europeias, apresentando uma capa dura e dimensões de 28 x 20 centímetros. O traço artístico de Romahs remete aos quadrinhos franceses e belgas, criando uma conexão entre a estética global e as narrativas amazônicas. Essa abordagem não só reforça o caráter épico da obra, mas também estabelece um diálogo intercultural.
A obra, que é uma produção autoral, conta com o financiamento da Lei Paulo Gustavo e recebe apoio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas (SEC-AM). Com esta iniciativa, Romahs Mascarenhas não apenas compartilha sua visão artística, mas também enriquece o cenário cultural da região, promovendo a valorização das tradições indígenas e da rica mitologia amazônica.
