Desempenho do Comércio Exterior em Janeiro
O início do ano não foi promissor para o comércio exterior do Amazonas, que registrou uma corrente de US$ 1,56 bilhão em janeiro, segundo dados do site Comex Stat. Embora tenha havido um crescimento de 26,83% em relação a dezembro de 2025, quando o total foi de US$ 1,23 bilhão, essa comparação é influenciada por fatores sazonais. Entretanto, ao analisar o mesmo mês do ano anterior, a balança comercial do Estado apresentou uma queda de 1,26%, uma vez que em janeiro de 2025 o valor alcançado foi de US$ 1,58 bilhão.
As exportações do Amazonas, puxadas por itens como ouro, motocicletas e concentrados para refrigerantes, totalizaram US$ 84,45 milhões em janeiro, o que representa uma queda de 11,82% em comparação com dezembro (US$ 95,77 milhões). No entanto, quando comparado ao ano passado, o resultado é positivo, com um aumento de 16,76% em relação a janeiro de 2025, quando as exportações somaram US$ 72,33 milhões.
Importações e o Cenário Geral
Por outro lado, as importações em janeiro totalizaram US$ 1,48 bilhão, um aumento significativo de 29,82% em relação a dezembro, que registrou US$ 1,14 bilhão. Contudo, essa cifra ficou 1,99% abaixo do que foi registrado no mesmo período do ano anterior (US$ 1,51 bilhão). Essa análise trimestral mostra que, apesar da recuperação nas exportações, as importações estão apresentando um desaquecimento, especialmente em relação ao Polo Industrial de Manaus (PIM).
No trimestre encerrado em janeiro, as importações do Amazonas somaram R$ 3,72 bilhões, refletindo uma queda de 8,87% em comparação ao acumulado de agosto a outubro de 2025, que foi de US$ 4,05 bilhões. Em contrapartida, as exportações também mostraram um crescimento. Subiram de US$ 246,98 milhões para US$ 278,68 milhões, um aumento de 12,83%. Essa dinâmica sugere uma recuperação gradual no comércio exterior do estado.
Setores em Destaque nas Importações
As importações de partes e peças destinadas ao PIM lideraram as compras do mês, com destaque para circuitos integrados e microconjuntos eletrônicos, que somaram US$ 273,68 milhões. Também figuram na lista itens como discos e fitas para gravação (US$ 156,92 milhões) e platina (US$ 99,48 milhões). Além disso, o total de produtos importados atingiu 591, incluindo poliéster, kits para ar-condicionado e componentes para eletrônicos.
A China manteve-se como o maior fornecedor do PIM, com importações que somaram US$ 586,01 milhões, embora esse número tenha caído 6,99% em relação ao ano anterior. Os EUA e Vietnã ocupam a segunda e terceira posição, com US$ 107,43 milhões e US$ 98,95 milhões, respectivamente. Outros fornecedores importantes incluem Coreia do Sul, Taiwan, África do Sul e Japão, entre outros.
Exportações: Ouro e Motocicletas em Alta
No que diz respeito às exportações, o Amazonas enviou produtos que totalizaram US$ 35,99 milhões em ouro, além de motocicletas (US$ 11,32 milhões) e preparações alimentícias (US$ 9,70 milhões). Os números indicam um fortalecimento nas vendas externas, com a Alemanha liderando o ranking de aquisições ao comprar principalmente ouro, resultando em US$ 37,27 milhões. A Colômbia e a Argentina também figuram entre os principais compradores, focando em produtos manufaturados do PIM.
Análise do Cenário Atual
A percepção sobre a situação econômica atual do PIM é mista. Augusto Cesar Barreto Rocha, diretor adjunto de Infraestrutura, Transporte e Logística da Fieam, considera que os dados refletem uma estabilidade, mas também um viés de baixa no curto prazo. Ele alerta sobre a necessidade de equilibrar os estoques de matérias-primas, especialmente após a alta nos últimos anos, que se intensificou devido ao receio de estiagens severas, como as que ocorreram em 2023 e 2024.
O contador e especialista em indústria, André Costa, reforçou essa preocupação, destacando que a ligeira queda das importações pode ser vista como uma oportunidade e não como um sinal de alerta. Ele considera que a base de comparação deste ano é especialmente robusta, já que 2025 foi um ano recorde para o PIM. A expectativa é de que a recuperação das importações e exportações resulte em um desempenho positivo, ao mesmo tempo em que se observa um aumento na movimentação de contêineres, evidenciando uma atividade econômica aquecida no setor.
