Irregularidades na Revoar Turismo levantam suspeitas
A Polícia Civil do Amazonas está à frente de uma investigação que culminou na prisão de Alcir Queiroga, empresário supostamente vinculado a operações irregulares da Revoar Turismo. De acordo com as apurações, a empresa atuaria como uma fachada, sem sede física, site institucional ou presença significativa em redes sociais, levantando dúvidas sobre sua real atividade comercial. Esse cenário fez com que as autoridades nutrisse suspeitas de utilização da empresa para práticas de lavagem de dinheiro.
Como parte das investigações, a polícia solicitou informações a companhias aéreas sobre a emissão de bilhetes pela Revoar Turismo. A LATAM Airlines confirmou que não encontrou registros de passagens associadas à empresa, enquanto a Gol Linhas Aéreas também afirmou não ter emitido passagens ligadas ao negócio de Queiroga.
Crimes graves e medidas cautelares
Além das suspeitas relacionadas às passagens aéreas, Alcir Queiroga é investigado por delitos mais graves, como lavagem de dinheiro, organização criminosa e até mesmo tráfico de drogas. A Justiça tomou diversas medidas cautelares, incluindo a quebra de sigilo bancário e o sequestro de bens, o que demonstra a seriedade das acusações. A operação, que recebeu o nome de Erga Omnes, amplia o escopo das investigações, envolvendo contratos, fornecedores e potenciais ligações com agentes públicos.
Contexto e repercussão das investigações
O caso já havia chamado a atenção das autoridades desde 2025, quando o Ministério Público de Contas do Amazonas sugeriu ao Tribunal de Contas do Estado do Amazonas a realização de uma auditoria extraordinária nas contratações feitas pela Prefeitura de Manaus com quatro empresas. Essa ação foi motivada pela denúncia do vereador Coronel Rosses, que levantou suspeitas de que fornecedores estariam custeando viagens internacionais do prefeito David Almeida ao Caribe, realizadas em fevereiro daquele ano.
Na ocasião, o prefeito David Almeida defendeu-se, alegando que os custos da viagem foram pagos com recursos próprios e que sua ausência foi informada formalmente à Câmara Municipal. Sua defesa apresentou comprovantes de pagamento que somavam entre R$ 14 mil e R$ 16 mil, referentes a passagens emitidas pela empresa vinculada a Alcir Queiroga, que foram encaminhados às autoridades competentes. Contudo, essa situação desencadeou uma série de desdobramentos jurídicos que não se encerraram com essa defesa.
Novas frentes de apuração
A situação ganhou novos contornos em outubro do mesmo ano, quando o Tribunal de Justiça do Amazonas ordenou a abertura de uma investigação detalhada e o desmembramento do processo inicial em sete novas frentes, totalizando oito linhas de investigação. A decisão permitiu que os membros do Ministério Público tivessem acesso formal a informações cruciais para elucidar as suspeitas. A recente prisão de Alcir Queiroga, no âmbito da Operação Erga Omnes, reafirma o comprometimento das autoridades em investigar possíveis irregularidades que envolvem empresas, contratos públicos e a utilização de estruturas privadas em benefício de agentes políticos.
