Um Novo Desafio para o Empreendedorismo Brasileiro
O gaúcho Cristhiano Faé, de 43 anos, é um nome já consagrado no cenário empreendedor do Brasil, reconhecido por fundar empresas de destaque como Accera, W3BOX, Raisy e Scale Partners. Agora, ele se prepara para um novo desafio como CEO do B55, um instituto dedicado a fomentar o empreendedorismo e apoiar pequenos e médios negócios em todo o país. Natural de Porto Alegre e radicado em São Paulo há cerca de dez anos, Faé assume a liderança de um hub criado por influentes empresários brasileiros, com um objetivo claro: transformar o ambiente de negócios no Brasil.
Na sua nova função, Cristhiano Faé conta com uma experiência valiosa, tanto como empreendedor quanto como investidor e conselheiro de startups. Seu plano é destacar as histórias de sucesso de empresários brasileiros, que são, segundo ele, alguns dos mais promissores em nível global. A ideia é inspirar uma nova geração que busca abrir seus próprios empreendimentos, em um momento em que o desejo por independência financeira cresce a passos largos.
Desafios e Oportunidades para Pequenos Negócios
Em uma conversa com a Zero Hora, Faé abordou os principais desafios enfrentados pelos empreendedores no Brasil. Ele destacou que, atualmente, cerca de 50% das empresas encerram suas atividades nos primeiros três anos, e 63% não sobrevivem até o quinto ano. Apesar desses números alarmantes, ele comparou a realidade brasileira com a de mercados mais maduros, como o americano, onde a taxa de fechamento é semelhante. Para Faé, isso revela uma oportunidade significativa de apoio para os 70% das empresas que se encontram estagnadas. Segundo ele, a falta de crescimento resulta em menos contratações e desenvolvimento econômico local. O que, afinal, pode ser feito para ajudar esses empreendedores? Para Faé, o caminho é claro: oferecer conhecimento, métodos e uma rede de apoio robusta.
Um dado interessante é que, conforme as pesquisas do Sebrae, o sonho de ter um negócio próprio passou a ocupar a segunda posição na lista de aspirações dos brasileiros, um salto considerável em relação aos anos anteriores, quando esse desejo aparecia apenas em posições mais distantes.
O Impacto da Pandemia e Novas Possibilidades
Faé também atribui o crescente interesse pelo empreendedorismo a diversos fatores, incluindo os efeitos da pandemia. Com o cenário de incertezas, muitas pessoas se viram compelidas a buscar alternativas de renda, além de um enfraquecimento das relações de trabalho convencionais, como a CLT. A digitalização, por sua vez, facilitou o acesso ao mundo dos negócios, permitindo que qualquer indivíduo, independentemente da sua faixa etária ou localização, abra uma empresa com o simples uso de um celular e uma conexão à internet.
Ele ainda ressalta que, nunca antes houve tantas histórias de sucesso de empreendedores brasileiros ganhando notoriedade internacional. Os cofundadores do B55 são exemplos vivos desse fenômeno, tendo iniciado do zero e alcançado empresas de bilhões. A missão do instituto é dar visibilidade a essas trajetórias inspiradoras, funcionando como um impulsionador para aqueles que estão começando ou enfrentando dificuldades em seus negócios.
Um Cenário Econômico Desafiador
O momento atual, marcado por uma perspectiva de crescimento moderado do PIB e incertezas econômicas, levanta a questão: é um bom momento para abrir um novo negócio? Para Faé, a resposta é afirmativa. Ele acredita na resiliência do empreendedor brasileiro e destaca que o país não deve nada a outros mercados. O Brasil tem mostrado que consegue prosperar, mesmo em cenários adversos, e isso se reflete na quantidade de CEOs brasileiros em empresas globais e em diversas histórias de sucesso.
Ele menciona que, apesar das dificuldades e da percepção negativa em relação ao fracasso, o espírito empreendedor brasileiro é forte. Enquanto no Vale do Silício, falhar é encarado como uma oportunidade de aprendizado, no Brasil, essa ideia ainda precisa ser desconstruída.
Identificando os Principais Desafios
Sobre as razões que levam 70% das empresas a estagnarem, Faé elenca a falta de processos, capital e conhecimento de gestão como os principais obstáculos. Muitos empreendedores possuem ótimas ideias, mas carecem do know-how necessário para conduzir suas empresas de forma eficaz. Ele alerta que, muitas vezes, problemas financeiros decorrem de falhas na gestão, e não simplesmente da falta de recursos financeiros.
Com isso, Faé reforça a importância de buscar apoio e orientação, que não deve ser apenas teórica, mas prática e relevante para a realidade do dia a dia dos negócios.
Avanços Estruturais e Desafios Persistentes
A criação do MEI e a aprovação da lei das micro e pequenas empresas foram passos significativos para melhorar o ambiente empreendedor no Brasil. Faé acredita que Porto Alegre se destaca como um exemplo positivo nesse contexto, sendo uma das cidades mais ágeis para o registro de empresas. Ele menciona que, após incidentes que dificultaram a abertura de negócios no passado, houve uma digitalização que facilitou esse processo.
Embora reconheça que muitos avanços foram feitos, Faé destaca que ainda há desafios, como a educação básica e o acesso ao capital, principalmente em áreas que não estão nos grandes centros. Para ele, a cultura de valorização do empresário, que é essencial para o crescimento do país, ainda precisa ser fortalecida.
Conselhos para Novos Empreendedores
Por fim, o conselho de Cristhiano Faé para aqueles que estão pensando em iniciar um negócio é claro: cercar-se de pessoas que tenham experiência e sucesso em áreas similares. Participar de eventos e buscar aprendizado, principalmente sobre inteligência artificial, é crucial para se adaptar às novas demandas do mercado. Como ele mesmo conclui, ninguém pode escapar das mudanças que estão por vir.
