Depoimentos Reveladores na Investigação
O empresário Alcir Queiroga Teixeira Júnior, detido sob suspeita de liderar uma empresa fantasma utilizada para a lavagem de dinheiro oriundo do tráfico de drogas, fez afirmações impactantes durante seu depoimento. Ele afirmou que Anabela Cardoso, ex-chefe de gabinete do prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), pagava passagens aéreas, hospedagens e aluguel de veículos em dinheiro vivo.
A operação policial, que se estendeu por diversos estados, cumpriu mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão. Até o momento, 14 pessoas foram detidas, com oito delas no Amazonas, enquanto outras nove seguem foragidas, incluindo o suposto líder do esquema. Durante a ação, foram apreendidos carros de luxo, dinheiro em espécie e documentos relevantes para a investigação.
Pagamentos em Espécie e Destinos Questionáveis
Trechos do depoimento, obtidos pela Rede Amazônica, indicam que Anabela adquiria passagens na agência de turismo de Alcir para o prefeito David Almeida, o vice-prefeito Renato Júnior, além de servidores da prefeitura e familiares do prefeito. Entre os destinos mencionados está uma viagem ao Caribe, que está sendo investigada pelo Ministério Público do Amazonas. Os supostos pagamentos, segundo Alcir, totalizavam cerca de R$ 34 mil, todos realizados em dinheiro.
Além disso, Alcir revelou que Anabela fazia pagamentos que chegaram a R$ 40 mil, também em dinheiro, para viagens frequentes a São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro, além de outro destinos internacionais. Ele destacou que, quando as passagens eram para servidores da prefeitura, os pagamentos eram feitos em espécie, sem que ele soubesse a origem dos valores utilizados.
Controvérsias e Respostas de Envolvidos
No depoimento, o empresário expressou que não tinha clareza sobre a proveniência dos fundos utilizados para os pagamentos, levantando suspeitas sobre possíveis vínculos com o tráfico de drogas ou atividades criminosas. Além disso, Alcir mencionou que Anabela também solicitava passagens para conhecidos do prefeito, como Bernard da Costa Teixeira, dono da empresa PUMP, que está sob investigação por irregularidades no festival Sou Manaus Passo a Paço 2023, e Igor da Silva Brilhante, proprietário da Construtora Brilhante.
Em resposta às acusações, Bernard da Costa Teixeira negou ter adquirido passagens na agência de Alcir e afirmou que conheceu o prefeito apenas durante a viagem ao Caribe. A defesa dos outros mencionados no depoimento ainda não se manifestou, e o g1 tenta contato, mas não obteve retorno até o fechamento desta reportagem.
Operação Erga Omnes e Seus Impactos
A Operação Erga Omnes, que investiga o caso, revelou que a organização criminosa movimentou aproximadamente R$ 70 milhões, cerca de R$ 9 milhões por ano desde 2018, cooperando com traficantes de drogas do Amazonas e de outros estados. As investigações apontam que os suspeitos facilitaram a contratação de empresas de fachada, que, na realidade, eram utilizadas para a compra de drogas na Colômbia e seu envio para Manaus, de onde as substâncias seriam distribuídas para outras regiões do país.
Os investigados enfrentam graves acusações que incluem organização criminosa, associação para o tráfico de drogas, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio, além de violação de sigilo funcional. A conclusão das investigações pode resultar em penalidades severas para os envolvidos, refletindo a importância da ação policial no combate ao crime organizado e à corrupção.
