Medidas Inovadoras para Enfrentar o Turismo Excessivo
As cerejeiras do monte Fuji, no Japão, continuam a florescer, mas este ano, o famoso festival anual de sakura não acontecerá. As autoridades de Fujiyoshida optaram pelo cancelamento devido a reclamações dos moradores sobre a conduta dos turistas, que, segundo relatos, têm causado problemas como lixo nas ruas e invasões em propriedades privadas. Este evento, que atraía cerca de 200 mil visitantes, em uma cidade com pouco mais de 44 mil residentes, ilustra como, à medida que o turismo global cresce, a paciência das comunidades locais se esgota.
Em 2019, o Japão viu um recorde de 43 milhões de turistas, e os números continuam a subir. Em paralelo, a Europa registrou mais da metade dos voos internacionais, totalizando cerca de 1,5 bilhão. As previsões indicam um aumento para 1,8 bilhão até 2030, forçando governos a implementar medidas para administrar essa pressão. Algumas dessas ações, que anos atrás poderiam ser consideradas drásticas, incluem o uso de inteligência artificial para o controle de multidões e a imposição de tarifas maiores para turistas estrangeiros.
Muitos países buscam não apenas continuar recebendo visitantes, mas também melhorar a experiência deles, incentivando uma dispersão mais equitativa dos turistas durante o ano.
Japão: Barreiras e Restrições
O festival cancelado não é a única iniciativa do Japão para lidar com o turismo em massa. Em 2024, a cidade de Fujikawaguchiko implantou uma barreira física para restringir o acesso a um famoso ponto de fotos do monte Fuji, evitando comportamentos inadequados por parte dos visitantes. Kyoto, uma cidade que já enfrenta desafios com a superlotação, implementou restrições como a proibição de fotografar gueixas e o acesso a determinadas áreas do histórico distrito de Gion.
A cidade também adotou tecnologia para gerenciar o fluxo de turistas. A ferramenta digital chamada Previsão de Congestionamentos ajuda a indicar os melhores dias e horários para visitar os locais mais procurados, enquanto o aplicativo Smart Navi fornece informações em tempo real sobre as condições de lotação. Além disso, iniciativas como “Joias Escondidas” promovem regiões menos visitadas e a proposta “Mãos Livres” facilita o transporte e armazenamento de bagagens para evitar aglomerações no transporte público.
Kousaku Ono, gerente de turismo sustentável de Kyoto, destaca a ausência de uma solução única para o fenômeno do turismo excessivo, mas reforça o compromisso de implementar medidas que protejam a qualidade de vida dos moradores, ao mesmo tempo em que proporcionam uma experiência agradável aos turistas. Enquanto isso, operadoras de turismo como a Inside Travel Group estão redirecionando seus esforços para regiões menos conhecidas, visando oferecer experiências de viagem mais tranquilas.
Estados Unidos: Taxas Elevadas para Visitantes Internacionais
Nos Estados Unidos, a estratégia adotada foca na questão financeira. Com 433 parques nacionais que cobrem uma vasta área, a superlotação se concentra nos 25 mais populares. Assim, em 2026, uma taxa extra de US$ 100 foi imposta a visitantes internacionais em parques como Yellowstone e Yosemite, enquanto o passaporte anual “America the Beautiful” teve seu preço aumentado para não residentes.
Embora a intenção seja reduzir a superlotação, muitos acreditam que essas medidas não são suficientes. Kevin Jackson, fundador da EXP Journeys, expressa ceticismo sobre a eficácia dessas mudanças, considerando que a alta demanda por parques icônicos é um fator constante. Dulani Porter, executiva na SPARK, concorda, acrescentando que o problema vai além de simplesmente aumentar os preços e que questões estruturais também desempenham um papel importante.
Jamaica: Atraindo Turistas Fora da Alta Temporada
A Jamaica apresenta um exemplo de abordagem diferente, utilizando incentivos para atrair visitantes. Após a devastação causada pelo furacão Melissa, o país lançou uma parceria com a JetBlue, oferecendo seguro contra chuvas durante a baixa temporada. Isso garante que turistas recebam reembolso caso o tempo não esteja favorável, ao mesmo tempo em que incentivam visitas a atrações internas, como o Museu Bob Marley.
Espanha e Dinamarca: Tecnologias e Comportamento Sustentável
A ilha de Maiorca, na Espanha, introduziu uma plataforma alimentada por inteligência artificial que orienta turistas sobre horários menos movimentados para visitar atrações populares, além de sugerir alternativas culturais. Por outro lado, em Copenhague, o programa CopenPay recompensa visitantes que participam de atividades sustentáveis, como limpeza de canais. Essa iniciativa já resultou no aumento do aluguel de bicicletas e na adoção de práticas mais ecológicas pelos turistas.
Essas medidas refletem um movimento crescente em direção a um turismo mais responsável e sustentável. As cidades ao redor do mundo estão se adaptando para garantir que a experiência de viagem beneficie tanto os visitantes quanto as comunidades locais, minimizando os impactos negativos do turismo excessivo.
