Taxa de Incidência Alarmante
Em 2025, o Brasil registrou uma média preocupante de 20 mortes diárias por câncer de colo de útero. Contudo, a situação no Amazonas demanda uma atenção ainda mais intensa. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o estado apresenta a maior taxa de incidência do país, com 28,57 casos a cada 100 mil mulheres, superando significativamente a média do Sudeste, que é de 14,06 casos.
Iniciativas Pioneiras no Amazonas
O estado é pioneiro em ações de prevenção contra essa doença. Durante a gestão do ex-governador Omar Aziz, foi implementada uma política pública inovadora que ofereceu vacinação gratuita contra o HPV para adolescentes. Essa iniciativa antecipou debates nacionais sobre a importância de proteger jovens antes do início da vida sexual, esclarecendo que o câncer de colo de útero é, em quase sua totalidade, evitável.
Desafios Enfrentados
O câncer de colo do útero foi tema de uma recente reportagem da Folha de S.Paulo, que trouxe à tona a perspectiva da oncologista amazonense Mônica Bandeira, uma defensora ativa na luta contra a doença. Ela destacou um panorama alarmante que persiste no estado desde a década de 80. Em São Paulo, muitas vezes a doença é detectada em estágios iniciais, enquanto no Amazonas, o diagnóstico tardio é uma triste realidade. “Quando há uma paciente na recepção, já conseguimos perceber o odor do tumor em necrose”, lamenta a profissional.
Os obstáculos são agravados pela própria geografia amazônica. Muitas mulheres ribeirinhas enfrentam longas jornadas, chegando a viajar até oito dias de barco para acessarem tratamento em Manaus. Além disso, a espera por exames é crítica: nos municípios do interior, o processamento de exames preventivos enviados à capital pode levar até seis meses. Como resultado, dois terços dos casos ginecológicos no estado são diagnósticos tardios, frequentemente identificados apenas em estágios avançados, quando já há comprometimento renal.
Inovações e Esperança no Combate ao Câncer
Contudo, há esperança no horizonte. O Amazonas está participando de um projeto piloto que visa substituir o tradicional Papanicolau pelo teste de DNA-HPV, uma mudança que pode revolucionar o diagnóstico e a prevenção da doença, com o objetivo de implementação em massa até o final de 2026. A autocoleta surge como uma solução promissora. Um estudo realizado pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam) em 2015, na cidade de Coari, demonstrou que essa abordagem teve uma aceitação quase total.
A possibilidade de as mulheres realizarem a coleta em suas próprias comunidades, sem depender da infraestrutura de consultórios para o rastreio inicial, é considerada por especialistas como a única maneira eficaz de atender às metas estabelecidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) no interior da floresta amazônica.
