Expedição Avalia Acesso ao Pico da Neblina
Recentemente, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) promoveu uma expedição ao Pico da Neblina, situado em São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas. O intuito foi analisar as trilhas e propor melhorias nas infraestruturas de acesso ao ponto mais alto do Brasil, que se eleva a impressionantes 2.995,30 metros.
Realizada entre 26 de janeiro e 6 de fevereiro, a equipe percorreu o cume em busca de soluções para minimizar os riscos durante a visitação e otimizar as condições dos acampamentos. Ao todo, o grupo foi composto por 11 membros não indígenas e 22 guias, cozinheiros e carregadores da etnia Yanomami, todos envolvidos em um esforço conjunto que conta com o apoio da Frente de Proteção e da Força-Tarefa Yanomami, da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), além do Instituto Socioambiental (ISA).
Segundo Cassiano Gatto, chefe do parque, os dados coletados durante a expedição são fundamentais para aprimorar o Plano de Visitação Yaripo Ecoturismo Yanomami, que visa regular o turismo na área. Ele destaca: “Desta expedição, reunimos o conhecimento necessário para promover melhorias ao plano de visitação e a melhoria das condições de trabalho dos profissionais Yanomami. É um avanço difícil, devido às condições geográficas de isolamento, mas esta iniciativa é um primeiro passo importante.”
Medidas de Melhoria e Sustentabilidade
Durante a expedição, várias ações foram encaminhadas para melhorar o acesso e a segurança dos visitantes na trilha. Entre elas, estão a instalação de 50 degraus no trecho final da trilha, além do reforço no sistema de apoio com cordas e correntes, com previsão de início em agosto de 2026. Também foi proposto um mapeamento ambiental com a utilização de drones para identificar os impactos do garimpo na Bacia do Gelo.
Outras diretrizes incluíram a atualização dos protocolos operacionais do Plano de Visitação, que abarcará a pesagem de cargas e a organização da condução pelos guias Yanomami. Essas mudanças são cruciais para garantir a segurança e a preservação do meio ambiente, fundamentais para manter a integridade do pico e da região ao redor.
Considerações Sobre o Pico 31 de Março
A equipe de expedição também avaliou o Pico 31 de Março, a segunda montanha mais alta do Brasil, localizada nas proximidades. Contudo, foi recomendado que esse local não seja aberto ao turismo. Isso se deve a preocupações com a segurança dos visitantes e a necessidade de preservar um espaço considerado sagrado pelos Yanomami. O pico, praticamente intocado, tem potencial para servir como campo de estudos científicos, incluindo pesquisas sobre mudanças climáticas.
As iniciativas em torno do Pico da Neblina refletem uma crescente preocupação com a preservação ambiental em meio ao aumento do interesse turístico na região amazônica. O fortalecimento do turismo sustentável, aliado ao respeito pelas comunidades locais e ao meio ambiente, pode representar um grande passo para um futuro mais equilibrado.
