Setores Fortes Encaram Desafios
MANAUS — A logística na região do Polo Industrial de Manaus (PIM) é reconhecida como um desafio por representantes de grandes empresas dos setores automotivo, de eletroeletrônicos e de alimentos. No entanto, eles enfatizam que, apesar das dificuldades, têm encontrado formas eficazes de superá-las, principalmente por meio de incentivos fiscais e estratégias próprias de produção e suprimento. Na última quarta-feira (11), durante o evento Raízes do Investimento, promovido pela Sedecti (Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação), executivos de grandes empresas apresentaram dados sobre os investimentos realizados na região. O grupo chinês CNMC, que adquiriu a Mineração Taboca em 2018, anunciou um investimento de R$ 500 milhões para expandir suas operações entre 2026 e 2028.
Fabiano Mariscal, gerente sênior de controladoria da Samsung, destacou a complexidade da logística, afirmando que as sazonalidades do rio e as épocas de vazante impactam as operações. ‘A logística é um dificultador para a operação em si’, frisou. Desde a sua chegada em 1995, a Samsung expandiu suas atividades significativamente. A empresa, que começou com 318 funcionários e uma área de 86.000 m², agora conta com 3.500 colaboradores e uma área de 128.000 m², produzindo nove tipos de produtos, entre eles smartphones e televisores.
Investimentos e Expansões na BMW e Grupo 3 Corações
Alex Luís Donatti, diretor da planta da BMW Group em Manaus, também abordou as questões logísticas, afirmando que a empresa tem realizado investimentos para mitigar os efeitos da cadeia de suprimento. Com 240 funcionários, a BMW é responsável pela produção de motocicletas premium na capital. ‘Estamos preparados e, nos últimos anos, não tivemos problemas. Conseguimos manter a operação funcionando’, disse Donatti, enfatizando que a planta da BMW cresceu de 10 mil m² para 15 mil m² desde 2016 e atualmente conta com 28 fornecedores nacionais, produzindo 66 veículos de 13 modelos diariamente.
Wellysson Araújo, gerente tributário do Grupo 3 Corações, ressaltou a importância dos incentivos fiscais para enfrentar os desafios logísticos. Desde 2000 no estado, a empresa adquiriu a marca regional Café Manaus e expandiu sua produção em 2018, elevando o faturamento de R$ 72 milhões para R$ 505 milhões previsto para 2025. ‘A logística é, sim, um dificultador. Por isso, considero que os incentivos fiscais são indispensáveis para que os investimentos continuem no Estado’, afirmou Araújo.
A Importância da Zona Franca de Manaus
Os representantes das empresas concordam que a Zona Franca de Manaus (ZFM) continua a ser um ambiente importante e competitivo, tanto na geração de empregos quanto na atração de indústrias e na manutenção da atividade econômica. Relatórios da Suframa indicam que, até dezembro de 2025, a ZFM deve abranger 516 empresas e gerar 128,3 mil empregos diretos. Um estudo da Fundação Getúlio Vargas, sob a coordenação do professor Márcio Holland, aponta que o modelo gera cerca de 500 mil empregos diretos e indiretos.
Mariscal acredita que a ZFM é crucial para o desenvolvimento da região, destacando sua importância na preservação da floresta e nas questões ambientais. ‘A Amazônia é insubstituível e precisa de incentivos fiscais para ser mantida’, afirmou. Donatti também expressou confiança no modelo, que considera ‘bem consolidado e seguro a longo prazo’.
Sustentabilidade e Iniciativas Econômicas
Além disso, os executivos afirmaram a necessidade de ampliar iniciativas econômicas sustentáveis na região, aproveitando os recursos locais. Araújo destacou que a matriz econômica baseada nos recursos naturais do estado requer mobilização de políticos e empresários. ‘Tem que ter uma mudança de percepção para que investimentos em produtos da região avancem’, disse Araújo, mencionando o lançamento de um café feito exclusivamente com grãos da região amazônica.
Fabiano, da Samsung, declarou que a empresa avalia todas as possibilidades de investimento na bioeconomia, enquanto Donatti, da BMW, mencionou iniciativas sustentáveis na fábrica, como o uso de painéis fotovoltaicos e a destinação correta de resíduos. Para Araújo, ampliação de investimentos em bioeconomia é essencial para promover um desenvolvimento sustentável na região.
Desafios e Oportunidades na Zona Franca
Sobre a competitividade da Zona Franca e as exigências do Processo Produtivo Básico (PPB), os executivos defendem que o modelo estimula a produção local e a formação de cadeias de fornecedores. Mariscal ressalta que o PPB é fundamental para equilibrar a utilização de insumos importados e nacionais, garantindo etapas de produção no Brasil. ‘É preciso adequar essas regras à velocidade de produção e ao avanço tecnológico das indústrias’, comentou.
Donatti acredita que a presença de diversas indústrias na Zona Franca atrai investimentos e favorece a nacionalização dos produtos. Araújo finalizou reafirmando que o modelo da Zona Franca é economicamente competitivo, mas defendeu que as exigências de uso de recursos da região são vitais para que a riqueza permaneça local.
