Movimentação Polêmica em Tempo de Eleições
A filiação do ex-superintendente da Zona Franca de Manaus, coronel Alfredo Menezes, ao Partido Avante, ocorrida em plena Quinta-feira Santa, provocou uma avalanche de reações nas redes sociais. O ato não passou despercebido e traz à tona um simbolismo que alimentou discussões entre internautas, que rapidamente associaram a decisão ao imaginário da traição. Em tempos de intensa disputa política, essa percepção se torna combustível para o ambiente digital.
Quatro dias antes de sua filiação, Menezes foi visto em um registro ao lado de Antônio Rueda, presidente nacional do União Brasil, e outras lideranças da federação União Progressistas no Amazonas. Nesse encontro, o ex-superintendente era cogitado como potencial candidato do grupo nas próximas eleições, o que acentuou o impacto de sua recente decisão.
Críticas e Ironias nas Redes Sociais
No embalo do Sábado de Aleluia, dia tradicionalmente marcado pela “malhação de Judas”, Menezes se tornou alvo de críticas e ironias. A nova alcunha de “Coronel Judas Menezes” começou a circular, especialmente devido ao fato de que ele se filiou ao mesmo partido que David Almeida, ex-prefeito de Manaus e seu antigo adversário político, que deixou o cargo para tentar a governança do Amazonas. Essa mudança de direção revela não apenas a carga simbólica da data, mas também a capacidade do eleitorado de lembrar e cobrar coerência em discursos políticos.
Para muitos, a decisão de Menezes representava uma contradição clara. Outros, no entanto, a veem como mais um movimento pragmático dentro de um jogo político marcado por alianças e desavenças que raramente se sustentam por longos períodos. Apesar disso, a situação contribui para uma percepção crescente sobre Menezes: ele é visto como um político que frequentemente muda de posicionamento, em contrariedade ao discurso de fidelidade ideológica que o elevou a um dos principais representantes do bolsonarismo na região.
A Reação do Público e o Impacto das Redes Sociais
As redes sociais atuaram como um termômetro imediato para o desgaste da imagem de Menezes. Um internauta expressou sua indignação: “Esse homem não tem lugar, vive pulando de galho em galho.” Outro comentou a desconfiança generalizada: “Já vimos que nesse não podemos confiar.” Alguns usuários foram ainda mais incisivos, tratando o coronel como um candidato irrelevante: “Esse Menezes já virou candidato folclórico”, disse um. “Não ganhou antes, agora que não ganha mesmo”, acrescentou outro internauta. Há também quem sugira que o ex-superintendente deveria ter permanecido neutro: “Era melhor ficar neutro, vai se queimar”.
Histórico de Conflitos e Mudanças de Rumo
Essas reações se tornam mais intensas quando se considera o histórico de declarações de Menezes. Em março de 2022, ele se referia a seu papel de forma contundente, dizendo que estava “dando porrada no prefeito, direto”, numa tentativa evidente de fragilizar a administração de David Almeida, que, por sua vez, havia classificado Menezes como “inimigo de Manaus”. Em janeiro de 2024, o coronel voltou a criticar Almeida, chamando-o de “despreparado” e “instável”. Esse histórico se torna ainda mais relevante no atual contexto, tornando a aproximação entre os dois políticos um tema sensível para o público.
No entanto, essa guinada na trajetória de Menezes não é uma ocorrência isolada. Ele já havia se distanciado do núcleo do bolsonarismo no Amazonas, após conflitos internos no PL, e se alinhou a uma chapa como candidato a vice-prefeito, ao lado de Roberto Cidade, dentro de uma coligação de centro. Agora, sua filiação ao Avante e o anúncio como pré-candidato a deputado federal pela federação marcam mais um capítulo em sua trajetória política.
