Irregularidades na AM-366
MANAUS (AM) – O senador Omar Aziz (PSD), pré-candidato ao Governo do Amazonas, está sob fogo cruzado após destinar emendas parlamentares para a construção da rodovia AM-366. Esta obra, localizada no interior do Amazonas, avança sobre áreas de floresta amazônica sem a devida licença ambiental. A denúncia, que chamou atenção da opinião pública, foi veiculada pelo jornal Folha de S.Paulo no último domingo, 26 de abril.
A reportagem revela que a obra teve o apoio político de Omar Aziz, juntamente com o prefeito de Tapauá, Gamaliel Andrade (União). Foram utilizados recursos provenientes de emendas parlamentares para expandir a estrada no município, uma ação que, segundo os críticos, desconsidera a preservação ambiental.
Objetivos da Obra e Críticas Recebidas
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O projeto foi inicialmente apresentado como uma solução de integração regional para Tapauá, município que enfrenta dificuldades de acesso, uma vez que atualmente só é possível chegar lá por via aérea ou fluvial. O trajeto até Manaus pode levar de dois a três dias, dependendo das condições dos rios, o que acentua a necessidade de melhorias na infraestrutura local.
A AM-366 foi planejada para conectar Tapauá à BR-319, uma rodovia federal que liga Manaus a Porto Velho. No entanto, essa estrada já é alvo de críticas por seu potencial impacto ambiental e pelo avanço do desmatamento. Para muitos líderes da região, a construção da rodovia é vista como uma oportunidade de desenvolvimento econômico e melhorias logísticas, mas as preocupações com os danos ambientais são crescentes.
Impactos Ambientais e Legais
Apesar das promessas de progresso, a AM-366 desperta preocupações por sua passagem em áreas sensíveis da floresta. O traçado da rodovia corta regiões de mata preservada, invade o Parque Nacional Nascentes do Lago Jari e afeta duas terras indígenas já homologadas. A investigação aponta que partes da estrada foram abertas sem a devida licença ambiental, o que contraria as leis que regem a proteção do meio ambiente.
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Com cerca de 550 quilômetros planejados, até agora, aproximadamente 40 quilômetros da obra foram executados em diferentes localidades, incluindo Juruá, Tefé e Tapauá. No trecho ligado à gestão do prefeito Gamaliel Andrade, cerca de 14 quilômetros foram abertos em áreas de floresta.
Efeitos e Fiscalização Precária
Os efeitos ambientais da intervenção já são notados. A abertura da estrada intensificou a ocupação irregular da região e acelerou a degradação ambiental. Segundo a apuração, igarapés que alimentam os rios da área estão sendo impactados por bloqueios e alterações no fluxo da água, comprometendo o equilíbrio ecológico vital para a sobrevivência de diversas espécies.
A Folha de S.Paulo também relata que este caso não é isolado. A investigação revelou um aumento no uso de máquinas adquiridas com emendas parlamentares para a abertura de estradas na Amazônia, em projetos que muitas vezes não possuem licenciamento ambiental. Isso destaca uma preocupação com a expansão descontrolada de obras em áreas sensíveis e a baixa fiscalização sobre esses projetos.
Riscos e Considerações Finais
O uso de emendas parlamentares para financiar obras sem planejamento adequado pode aumentar os riscos de desmatamento, conflitos de terra e danos irreparáveis aos ecossistemas amazônicos. A situação levanta um alerta sobre a necessidade urgente de uma fiscalização mais rigorosa e de um planejamento que efetivamente considere a proteção do meio ambiente e os direitos das comunidades locais. O que está em jogo é não apenas o desenvolvimento econômico, mas também a preservação de um patrimônio natural que é fundamental para o Brasil e para o mundo.
