Ubirajara Rosses: Trajetória e Implicações na Política
MANAUS (AM) – O Vereador Ubirajara Rosses (PL) foi recentemente expulso da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) após um incidente envolvendo ataques ao professor e sociólogo Luiz Antônio Nascimento durante uma discussão nas dependências da instituição no dia 5 de setembro. A situação trouxe à tona o histórico de Rosses, que se desenvolveu nas forças de segurança antes de ingressar na política em Manaus.
Com um discurso conservador intimamente ligado ao bolsonarismo, Rosses ganhou notoriedade através de uma série de confrontos e declarações polêmicas. Sua visibilidade aumentou consideravelmente após o ocorrido na Ufam, que se deu em um contexto já polarizado, intensificado pela destruição de cartazes com reivindicações estudantis por militantes que se autodenominavam opostos à “ideologia marxista”.
Da Polícia Militar à Política
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Natural de Manaus, Ubirajara Rosses do Nascimento Júnior passou mais de duas décadas na Polícia Militar do Amazonas (PMAM), onde construiu uma carreira sólida com formação em Ciências Policiais e especializações em criminologia e inteligência de Estado. Durante sua trajetória, ocupou funções tanto operacionais quanto administrativas, incluindo postos no Estado-Maior da PM.
Rosses se destacou ao organizar operações de segurança significativas e foi uma figura-chave no Simpósio Internacional de Operações Especiais (SIOE) em 2014, durante a gestão do ex-governador Omar Aziz (PSD). Ele também participou da coordenação de segurança para eventos de grande escala, como a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas do Rio de Janeiro em 2016, sob a administração do ex-governador José Melo, onde foi responsável pelo credenciamento de delegações internacionais.
Transição para o Poder Legislativo
A transição de Ubirajara para a arena política aconteceu em 2018, quando ele assumiu a presidência estadual do PSL no Amazonas, partido que se destacou nas eleições presidenciais de Jair Bolsonaro. Nesse papel, Rosses se consolidou como um articulador local, fortalecendo sua presença no cenário político alinhado ao bolsonarismo.
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Eleito vereador de Manaus nas eleições de 2024 pelo Partido Liberal (PL), Rosses obteve 7.169 votos e passou a atuar em temas relacionados à segurança pública, fiscalização e políticas sociais. Atualmente, preside a Comissão de Segurança Pública da Câmara Municipal e participa de outros colegiados, mantendo um discurso que prioriza a ordem e o combate à criminalidade.
Controvérsias e Conflitos
A atuação política de Rosses, no entanto, está marcada por polêmicas. Um dos episódios mais antigos ocorreu em 2018, quando sua ex-companheira o denunciou por ameaça e tentativa de intimidação em um litígio pela guarda da filha. Documentos policiais indicam que ele teria solicitado uma viatura da PM para intervir na situação, levantando sérias perguntas sobre sua conduta.
Desde então, os conflitos se intensificaram. O vereador afirma que está sendo alvo de perseguição política em um processo administrativo que pode culminar em sua expulsão da Polícia Militar, argumentando que a medida visa silenciar sua atuação pública.
Outro incidente notável ocorreu durante uma ação de fiscalização na chamada “Feira da Banana”, no Centro de Manaus, resultando em um pedido de cassação por suposta quebra de decoro parlamentar. Rosses, por sua vez, classificou o incidente como uma “cortina de fumaça” para desviar a atenção dos problemas da gestão municipal.
Em 2025, durante uma sessão na Câmara, o vereador fez declarações controversas contra a cantora Ludmilla, acusando-a de “aliciamento de crianças” em um evento patrocinado pela Prefeitura. A fala provocou uma forte reação da opinião pública e levou a uma ação judicial por danos morais, na qual a artista alega ter sofrido ofensas à sua honra e a imputação falsa de crime. Mesmo diante da repercussão negativa, Rosses reiterou suas acusações no plenário da Câmara.
