Resultados Sólidos com Foco em Seguros
O Bradesco (BBDC4) reportou um lucro líquido ajustado de R$ 6,8 bilhões no primeiro trimestre de 2026, com um retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) de 15,8%. Esses números surpreenderam positivamente tanto o Banco Safra quanto o consenso do mercado financeiro, que aguardavam resultados mais modestos.
O setor de seguros foi o grande responsável por esse desempenho, apresentando um crescimento operacional que já havia sido sinalizado pelos dados da Bradsaúde, divulgados anteriormente. Essa operação não só contribuiu para o resultado, mas também teve um impacto importante na capitalização do banco.
Com ganhos de 250 pontos-base nos índices de capital, acima do que o mercado esperava, o Bradesco conseguiu uma folga maior em sua posição prudencial ao longo do ano. Isso reforça as teses otimistas em relação ao banco, que se destaca entre os grandes bancos tradicionais do Brasil.
Expectativas de Receitas Aumentam
A análise dos especialistas do Banco Safra indicou que o desempenho positivo do trimestre sugere um cenário mais promissor para as receitas, especialmente quando comparado a outras instituições do setor. A recomendação foi reafirmada em Compra, com o Bradesco mantido como a principal escolha entre os grandes bancos.
Entretanto, um aumento nas provisões também foi observado, moderando a leitura geral do balanço. As provisões líquidas subiram 10% em relação ao trimestre anterior, alcançando R$ 9,7 bilhões, superando em 6% a expectativa do Safra. Esse movimento elevou o custo de risco em 20 pontos-base, atingindo 3,5%, o que compensou parte do efeito positivo do crescimento da margem financeira.
Desempenho do NII e Desafios no Setor Corporativo
A margem financeira líquida (NII) cresceu 4% em comparação ao trimestre anterior e ficou 3% acima das projeções dos analistas. O NII de mercado se destacou ao melhorar para R$ 553 milhões. Já o NII com clientes teve um aumento de 2% na comparação trimestral, com uma expansão de 10 pontos-base na margem, alcançando 9,1% – em linha com as expectativas.
Apesar do crescimento, essas receitas não foram suficientes para anular a pressão das despesas com provisões. As receitas de serviços também mostraram um crescimento considerável, com um aumento de 6% na comparação anual, impulsionadas pelos segmentos de cartões e consórcios. No entanto, a atividade nos mercados de capitais caiu 18% na comparação trimestral.
Estabilidade na Carteira de Crédito com Sinais Mistos de Inadimplência
Em termos de carteira de crédito, o Bradesco manteve um patamar estável em R$ 1,09 trilhão, com um crescimento anual de 8,5%. O aumento foi sustentado pelo segmento de pessoas físicas, que cresceu 1,6% no trimestre. Em contrapartida, a carteira corporativa apresentou um recuo, influenciada pela diminuição de volumes tanto em grandes empresas quanto em pequenas e médias, além de efeitos cambiais.
Os indicadores de inadimplência apresentaram resultados mistos. A formação de NPLs (créditos inadimplentes acima de 90 dias) subiu para 5,4%, um aumento de 25 pontos-base em relação ao trimestre anterior. Em contrapartida, a formação de Stage 3 caiu para 3,9%, com uma redução de 64 pontos-base.
Fortalecimento de Capital e Perspectivas Futuras
Os indicadores de capital também trouxeram uma mensagem importante. O índice CET-1 caiu 150 pontos-base, ficando em 12,7%, enquanto o índice de Basileia subiu para 17,4%, beneficiado pela transação com a Bradsaúde. Esse reforço de capital é considerado essencial para que o Bradesco enfrente o ano de 2026 com maior segurança regulatória e operacional.
Apesar do resultado positivo, os analistas do Safra interpretam que a postura conservadora em relação às provisões pode indicar um guidance mais agressivo do que conservador. Isso ajuda a justificar a manutenção das estimativas de lucro líquido para 2026, na faixa de R$ 27,5 bilhões a R$ 28 bilhões.
Em resumo, o balanço do Bradesco no primeiro trimestre combina um desempenho forte em seguros, crescimento das receitas e reforço de capital. Porém, a gestão das provisões ainda se apresenta como um desafio importante para a trajetória do banco ao longo do ano. Para os investidores, a mensagem é clara: o banco avança em áreas cruciais de rentabilidade e solvência, mas deve permanecer cauteloso em relação à qualidade de seus ativos.
