Reconstrução da BR-319 com foco ambiental
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou, em Manaus, que a reconstrução da BR-319 seguirá critérios rigorosos de preservação ambiental. A rodovia, que conecta Manaus a Porto Velho, enfrenta problemas históricos de trafegabilidade, principalmente no período chuvoso, e sua recuperação é uma pauta prioritária para setores políticos e econômicos do Amazonas. No entanto, ambientalistas manifestam preocupação com os impactos na floresta amazônica.
Durante a entrega de moradias do programa Minha Casa, Minha Vida, no bairro Tarumã-Açu, Lula ressaltou que a obra está sendo cuidadosamente discutida devido à sensibilidade ambiental da região. “Ela não é uma estrada qualquer. Está situada em um lugar muito sensível da Amazônia. Para autorizar essa estrada, nós estamos discutindo há meses qual é o sistema de segurança ambiental mais seguro”, afirmou.
Articulação entre órgãos para conter desmatamento
O presidente explicou que a proposta prevê uma ação integrada entre órgãos federais, estaduais e forças de segurança para evitar o avanço do desmatamento ilegal ao longo da rodovia. “O que a gente não quer é que as pessoas, sem nenhum critério, desmatem a floresta para ganhar dinheiro vendendo madeira, sem levar em conta o prejuízo que isso pode causar ao meio ambiente”, destacou.
Lula também afirmou que a BR-319 poderá servir como referência internacional em obras com controle ambiental. “Talvez seja a estrada feita com o maior cuidado ambiental de qualquer país do mundo. Será uma estrada modelo de qualidade e preservação ambiental”, acrescentou. O presidente deve visitar um trecho da rodovia ainda nesta terça-feira, acompanhado de ministros e autoridades federais.
Licitações avançam para o trecho mais crítico
As declarações do presidente coincidem com o avanço das obras no “trecho do meio” da BR-319, considerado o mais crítico da rodovia. No início de maio, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) reabriu o prazo para licitação de dois editais que tratam da melhoria do pavimento.
Essas licitações tinham sido suspensas pela Justiça Federal após ação civil pública do Observatório do Clima, que questionava a dispensa do licenciamento ambiental nas intervenções. A entidade argumentava que as obras caracterizam reconstrução e pavimentação, o que exigiria estudos de impacto ambiental.
No entanto, a suspensão foi revertida poucas horas depois pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), após recurso do Dnit e da Advocacia-Geral da União (AGU). A corte entendeu que a paralisação poderia comprometer a execução das obras durante a “janela hidrológica” de 2026, período de estiagem ideal para os serviços.
Os editais envolvem obras em quatro trechos da rodovia, entre os quilômetros 250 e 590, incluindo a construção de uma ponte sobre o rio Igapó-Açu. O investimento total está estimado em R$ 678 milhões, com prazo de execução previsto em três anos.
