Ato dos rodoviários mobiliza Manaus contra escala 6×1
Na manhã desta quarta-feira (27), motoristas e cobradores de ônibus promoveram uma paralisação em Manaus para protestar contra a escala de trabalho 6×1, que exige seis dias de trabalho seguidos para apenas um dia de folga. O protesto, que durou cerca de 1h30, afetou o transporte público e prejudicou o deslocamento dos trabalhadores do Distrito Industrial, uma das áreas mais importantes para a economia local.
Organização sindical e apoio de várias categorias
A mobilização foi articulada pelo Sindicato dos Rodoviários, com o suporte da Central Única dos Trabalhadores (CUT), do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Material Plástico de Manaus e do Estado do Amazonas (Sindplast), do Sindicato dos Petroleiros do Amazonas (Sindpetro) e do Sindicato dos Metalúrgicos. O protesto teve início por volta das 6h e impactou principalmente as linhas que circulam pela região Central e as que atendem o Polo Industrial de Manaus (PIM).
Objetivo do protesto além da pauta trabalhista
Além de reivindicar a redução da jornada e o fim da escala 6×1, os organizadores buscaram demonstrar apoio ao governo federal e pressionar o Congresso Nacional em votações relacionadas aos direitos dos trabalhadores. A mobilização reforça o debate sobre condições justas de trabalho e a importância de garantir folgas adequadas para a qualidade de vida dos rodoviários.
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Resposta do Sinetram e impacto no serviço
O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) declarou que foi pego de surpresa pela paralisação, realizada sem aviso prévio à população, às operadoras e às autoridades. O sindicato patronal ressaltou que o movimento descumpre uma liminar do Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT-11), que exige manutenção mínima do transporte coletivo por ser serviço essencial.
Para minimizar os transtornos, as empresas adotaram medidas emergenciais, como remanejamento operacional e ajustes nas linhas, visando restabelecer o serviço o mais rápido possível, mas o impacto na rotina dos usuários, especialmente os que dependem do transporte para trabalhar no Polo Industrial, foi significativo.
PEC do fim da escala 6×1: o que muda para os trabalhadores
O deputado Léo Prates (Republicanos-BA), relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1, apresentou parecer nesta segunda-feira (25) que propõe reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas sem corte nos salários. A mudança deve ocorrer em até 14 meses após a promulgação da proposta.
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Segundo a PEC, a duração normal do trabalho ficará limitada a oito horas diárias e quarenta horas semanais, com possibilidade de compensação de horários conforme acordos coletivos. A redução será feita em duas fases: as primeiras duas horas em até dois meses após a promulgação e as quatro horas totais em até 12 meses depois da primeira etapa.
Além disso, o fim da escala 6×1, garantindo ao menos duas folgas semanais, preferencialmente aos domingos, entrará em vigor 60 dias após a promulgação do texto. O período de transição foi alvo de debate, com empresários e confederações pedindo mais tempo para adaptação. Inicialmente contrária, a posição do governo evoluiu para permitir essa implantação gradual.
Essa mudança pode impactar diretamente a rotina dos trabalhadores do transporte em Manaus, trazendo mais equilíbrio entre trabalho e descanso, o que pode refletir em melhor qualidade de vida e segurança no trabalho.
