Futebol como elo entre Brasil e Haiti
A cada quatro anos, a Copa do Mundo reúne bilhões de torcedores ao redor do planeta, promovendo uma verdadeira integração global por meio do futebol. Entre as diversas histórias que envolvem essa paixão, destaca-se a relação singular entre Brasil e Haiti, dois países que, apesar de rivais na competição, compartilham uma forte conexão por meio do esporte, solidariedade e cultura.
Nas últimas décadas, essa ligação se fortaleceu graças à ajuda humanitária e à admiração do povo haitiano pelo futebol brasileiro. Essa relação pode ser vivida na pele por quem transita entre esses dois mundos, como o amazonense José Aurélio, que há cinco anos reside em Porto Príncipe, capital do Haiti.
Vivência de um amazonense no Haiti
Em entrevista para a série especial ‘Amazônia na Copa’, José Aurélio, de 41 anos, conta como o futebol e a cultura do Brasil fazem parte da rotina no Haiti, mesmo em um ambiente onde o esporte não é sua maior preferência pessoal. Técnico operacional em máquinas de fabricação de termoplásticos, ele vive uma vida tranquila entre trabalho e família, mas transforma-se torcedor fervoroso durante as Copas do Mundo.
“Minha família toda torce para o Vasco, mas eu só acompanho futebol de verdade na época do Mundial. É quando visto a camisa da seleção e torço pelo Brasil”, explica Aurélio, que lembra a emoção de acompanhar a Copa de 2022 em um país que idolatra o futebol brasileiro. “Foi marcante ver como os haitianos gostam do nosso país e da nossa seleção”, completa.
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O Jogo da Paz e a idolatria haitiana
O carinho do Haiti pela seleção brasileira tem raízes históricas. Em 18 de agosto de 2004, o chamado “Jogo da Paz” reuniu craques brasileiros como Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo Fenômeno e Roberto Carlos em uma partida amistosa contra o Haiti, realizada em Porto Príncipe. Em um momento de grave crise política e violência no país, a partida suspendeu os conflitos por noventa minutos, levando esperança e alegria à população local.
Apesar da vitória brasileira por 6 a 0, o que ficou marcado foi o simbolismo daquele dia, consolidando uma relação de respeito e admiração do povo haitiano pelo Brasil. “Mais de 80% da população haitiana torce para o Brasil, o que demonstra o apreço que eles têm pela nossa seleção”, destaca José Aurélio.
Histórico e expectativas para a Copa do Mundo 2026
Em um capítulo surpreendente dessa relação, o Haiti conquistou a vaga para a Copa do Mundo de 2026, algo inédito desde 1974. O país estará no mesmo grupo que o Brasil, garantindo um confronto direto entre as duas seleções no maior palco do futebol mundial.
A classificação foi motivo de festa nacional. Aurélio lembra como a comemoração tomou as ruas de Porto Príncipe: “No dia da classificação, a cidade parou. Foi uma celebração que durou horas, com ponto facultativo no dia seguinte porque ninguém foi trabalhar”.
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Fonte: daquidemanaus.com.br
Duelo de rivalidade e respeito
Na próxima sexta-feira, 19 de junho, Brasil e Haiti se enfrentam pela segunda rodada do grupo C. José Aurélio revela que, apesar de sua torcida ser para o Brasil, sente o coração dividido. “Vou torcer pelo Brasil, mas o Haiti me acolheu muito bem, então será um jogo especial. Acredito em uma vitória brasileira por 3 a 1”, projeta o manauara, que acompanhará o jogo em Manaus, ao lado da família.
Saudades da Amazônia e planos futuros
De volta a Manaus para as férias, José Aurélio aproveita para matar a saudade da família, da culinária e dos pontos turísticos locais. Ele destaca o valor da cultura amazonense e o aconchego de estar perto de quem ama. “Sinto falta do tambaqui, do açaí e dos lugares como a Ponta Negra”, comenta.
Sobre o futuro, Aurélio revela que ainda não tem planos de retornar ao Haiti. “Estou trabalhando aqui em Manaus e analisando uma proposta do Paraguai. Por enquanto, não penso em voltar”, conclui o amazonense.
