Prefeitura de Manaus organiza envio de ajuda humanitária para a Venezuela
Manaus iniciou uma mobilização para prestar auxílio às famílias afetadas pelo terremoto que atingiu a Venezuela nesta semana, gerando uma crise humanitária no país vizinho. O anúncio foi feito pelo prefeito Renato Junior durante coletiva no almoxarifado da Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Cidadania (Semasc), localizado no bairro Petrópolis, Zona Sul da capital amazonense.
Segundo a prefeitura, a operação está programada para começar neste sábado, com o envio de quatro mil cestas básicas — o equivalente a 10 toneladas de alimentos —, quase 10 mil litros de água, 560 colchões, 300 kits de higiene, 5.520 unidades de produtos de limpeza e medicamentos variados, como analgésicos, antitérmicos, antibióticos, soros e sais para reidratação.
Logística e parcerias para o envio dos donativos
A ação conta com o apoio da Força Aérea Brasileira (FAB), que integra a força-tarefa do governo federal para prestar assistência às vítimas do terremoto. Além da operação conduzida pela Prefeitura de Manaus, o Brasil (SGB) enviou equipes de resgate, medicamentos e insumos para reforçar o atendimento à população venezuelana.
O prefeito Renato Junior ressaltou que a ajuda humanitária busca reduzir o sofrimento das famílias atingidas e destacou que a solidariedade deve ultrapassar as fronteiras nacionais. “As fronteiras separam países, mas jamais podem separar os povos. Neste momento, não estou aqui apenas como prefeito de Manaus, mas como brasileiro e, acima de tudo, como ser humano. Cada dia que conseguimos antecipar essa ajuda representa um dia a menos de sofrimento para milhares de famílias”, afirmou.
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Coordenação com autoridades brasileiras e venezuelanas
Antes do envio da primeira remessa, Renato Junior entrou em contato com representantes do governo da Venezuela, o prefeito de La Guaira, a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, além do Comando Militar da Amazônia e da 1ª Brigada de Infantaria de Boa Vista, que darão suporte logístico à operação. A Prefeitura de Manaus separou medicamentos e insumos hospitalares, como paracetamol, amoxicilina, cefalexina, sulfametoxazol, soro fisiológico, solução injetável de cloreto de sódio, Ringer Lactato e sais para reidratação oral.
Os medicamentos serão destinados às unidades de saúde e às equipes médicas que atuam nas áreas afetadas pela tragédia, reforçando o atendimento de emergência. O Amazonas (CBMAM) também está envolvido no processo, garantindo a segurança e logística necessárias.
Campanha de doações aberta à população e instituições
Moradores de Manaus podem contribuir entregando doações no almoxarifado da Semasc, na Avenida Ayrão, no Centro da capital. A prefeitura recebe alimentos não perecíveis, água potável, produtos de higiene pessoal e outros itens essenciais. A campanha também está aberta para instituições, empresas e entidades interessadas em colaborar com a ação solidária.
O prefeito conclamou a participação da sociedade civil organizada. “Nenhuma nação tem tão pouco que não possa ajudar, nem tanto que não possa receber. Faço um apelo às indústrias, às entidades de classe, às igrejas e à sociedade civil para que se unam nessa corrente de solidariedade. Este não é momento de política; é momento de servir”, destacou Renato Junior.
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Tremores sentidos em Manaus refletem abalos na Venezuela
Na noite de quarta-feira (24), moradores de diversas zonas de Manaus relataram terem sentido tremores de terra, reflexo dos terremotos registrados na Venezuela. Alguns prédios chegaram a ser evacuados pelos próprios moradores. A Defesa Civil do Amazonas informou que os tremores também foram sentidos nos municípios de Barcelos e Iranduba, sem registros de danos estruturais ou vítimas.
Vídeos compartilhados com o g1 e a Rede Amazônica mostram objetos balançando dentro de imóveis e pessoas deixando suas casas para conferir a situação. Um morador do Condomínio Singolare, na Zona Centro-Sul de Manaus, relatou que o tremor foi sentido por volta das 18h, logo após o início da partida entre Brasil e Escócia. Ele contou que moradores de diferentes torres do residencial também perceberam a movimentação.
Especialista explica origem dos tremores em Manaus
O geofísico Raphael Di Carlo explicou ao g1 que os tremores sentidos em Manaus são consequência dos terremotos registrados em Caracas, na Venezuela. “São terremotos que não são tão profundos, são mais próximos da superfície, mas isso explica a grande liberação de energia que causou o grande impacto na superfície”, afirmou.
Di Carlo ressaltou que, apesar do susto, não há motivo para temer impactos maiores em Manaus, pois as ondas sísmicas já passaram. “Pelo fato de que algumas pessoas sentiram em alguns prédios, significa que as ondas já passaram, ou seja, o terremoto aconteceu e em questão de minutos essas ondas passaram pela crosta terrestre e balançaram algumas estruturas, mas não há perigo”, completou.
