Transição na Secretaria de Meio Ambiente do Amazonas
Eduardo Taveira anunciou sua saída da Secretaria de Estado de Meio Ambiente do Amazonas (Sema) na última quinta-feira (6), encerrando uma gestão iniciada em 2019 no governo Wilson Lima. O governador Roberto Cidade (União) indicou Miqueias Santos como novo titular da pasta, mantendo o foco na gestão ambiental e nas políticas de conservação.
Conquistas e desafios da gestão Taveira
Durante sua administração, Taveira destacou avanços relevantes, como a realização do primeiro concurso público para a Sema, a redução do desmatamento ao menor índice em oito anos e a obtenção de taxa zero em quase 80% das unidades de conservação. A expansão do Programa de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA), a formalização de 25 novos acordos de pesca e os contratos pioneiros de REDD+ (venda de crédito de carbono) também marcaram sua gestão.
Entre outras iniciativas, Taveira ressaltou a primeira venda legal de quelônios em Carauari, o fortalecimento das cadeias produtivas sustentáveis, o lançamento do programa Amazonas 2030 com ações de compensação do desmatamento legal, e a reativação da Fundação Estadual do Meio Ambiente (FEMA), que opera a maior rede de monitoramento do ar do país.
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Fonte: decaruaru.com.br
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Fonte: bahnoticias.com.br
Plano climático e desafios ambientais recentes
Apesar da participação do Amazonas nas últimas edições da Conferência do Clima da ONU (COP), o ex-secretário deixa a pasta sem a entrega do Plano de Ação Climática estadual, prometido há mais de três anos. A primeira versão do documento está prevista para consulta pública em setembro.
O projeto para venda de créditos de carbono, um dos destaques da gestão, enfrentou suspensão pela Justiça Federal após denúncia do Ministério Público Federal (MPF) sobre falta de consulta adequada às comunidades afetadas, o que a Sema nega. Lideranças locais confirmaram participação em discussões, mas não deram aval, conforme apontado pelo MPF.
Em 2024, o Amazonas sofreu um recorde histórico de queimadas, registrando 25.499 focos de calor, agravado pela estiagem severa e efeitos do fenômeno El Niño. No ano seguinte, os focos caíram 82%, a maior variação percentual já registrada, refletindo parcialmente o impacto do recorde anterior.
Perfil e experiência do novo secretário Miqueias Santos
A nomeação de Miqueias Santos ainda não foi publicada no Diário Oficial. Mestre em Gestão de Áreas Protegidas na Amazônia (INPA) e graduado em Licenciatura em Ciências Agrárias (Agrárias (UFAM)), com especialização em Elaboração e Gerenciamento de Projetos para a Gestão Municipal de Recursos Hídricos (Hídricos (IFCE)), Santos acumula experiência desde 2004 em projetos de conservação ambiental e gestão de recursos naturais junto a comunidades tradicionais e indígenas da Amazônia.
Seu histórico inclui nove anos na gestão de Unidades de Conservação, com passagens pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas entre 2013 e 2022, onde atuou como Chefe de Unidade de Conservação, Assessor Técnico e Ponto Focal da Reserva da Biosfera da Amazônia Central. Contribuiu com o Programa Áreas Protegidas da Amazônia (ARPA) e foi gestor de cinco unidades no estado.
Desde 2022, Santos atua como facilitador de Governança no Projeto da UNESCO LVMH Amazônia, fortalecendo parcerias institucionais, além de integrar o Círculo de Conhecimento Saberes da Sociobio como pesquisador.
