Cancelação da Verba para Show Gera Polêmica em Marabá
Em um vídeo divulgado nas redes sociais na última sexta-feira, 19, o prefeito de Marabá, Toni Cunha, do PL, fez sérias acusações ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT. Segundo Cunha, Lula estaria promovendo uma perseguição política ao cantor Zezé Di Camargo, após o governo federal cancelar uma verba de R$ 1 milhão, que já havia sido empenhada para um show do sertanejo no fim do ano. O evento tinha o apoio do Ministério do Turismo e estava previsto para as festividades de virada de ano na cidade.
O prefeito argumentou que a verba foi prometida pelo governo federal, através do ministro Celso Sabino, para financiar uma série de shows de fim de ano em Marabá, incluindo a apresentação de Zezé Di Camargo. Em um tom indignado, Cunha declarou: “Lula é presidente, queiramos ou não, do Brasil. Não é dono do dinheiro do povo brasileiro. Em Marabá, há brasileiros. Seu governo, por meio de um exercício até então democrático do ministro Celso Sabino, comprometeu-se a custear o show de Zezé Di Camargo na virada do ano. O pagamento, inclusive, já estava empenhado.”
Críticas e Promessas de Ação Judicial
O prefeito prosseguiu com suas críticas e afirmou que a suspensão dos recursos prejudica diretamente Marabá, já que o evento já havia sido anunciado à população. Ele revelou que foi comunicado sobre o cancelamento da verba às vésperas do evento e insinuou que a decisão foi motivada por “sentimentos pessoais” do presidente Lula. “Que vergonha, Luli!”, exclamou Cunha em seu pronunciamento.
Além de criticar a postura do presidente, o prefeito anunciou sua intenção de recorrer à Justiça para tentar reaver a verba pública. “Você deixa claro que quer comprar o silêncio dos artistas nacionais. Se te apoiam, podem ser contratados com recursos federais; caso contrário, serão isolados”, disse ele, enfatizando a importância da liberdade de expressão e da valorização dos artistas independentes.
Reação de Zezé Di Camargo e Solidão Política
O cantor Zezé Di Camargo também se manifestou nas redes sociais, revelando sua intenção de romper com o SBT. Isso ocorreu após a presença do presidente Lula, do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, e de outros políticos no lançamento do SBT News, no dia 12. O sertanejo não hesitou em criticar as filhas de Silvio Santos, afirmando que elas estavam “se prostituindo” e solicitou o cancelamento do Especial de Natal “É Amor”, no qual participou. O SBT cedeu ao pedido, o que gerou mais repercussão no meio artístico.
Lula, por sua vez, expressou solidariedade às filhas de Silvio Santos, qualificando a atitude de Zezé como “cretinice”. O presidente reforçou que tal ataque às mulheres não seria feito em relação a homens: “Que você transmita as filhas do Silvio Santos a minha solidariedade pela cretinice do ataque que Zezé Di Camargo fez a elas. Ele não teria coragem de fazer aquele ataque a homens, mas ele fez às mulheres.”
Posicionamento do Ministério do Turismo
A equipe da CENARIUM entrou em contato com o Ministério do Turismo para obter uma posição sobre as declarações do prefeito Toni Cunha. Na resposta, o ministério afirmou que a proposta de R$ 1,3 milhão para incentivo a eventos turísticos em Marabá está em análise desde outubro. Contudo, a falta de apresentação da documentação necessária pela gestão municipal impediu a assinatura do contrato.
Além disso, o ministério destacou que a escolha dos artistas ou atrações culturais é de competência do município, ressaltando que não há qualquer interferência do governo federal na utilização dos recursos destinados. “O Ministério do Turismo informa que a proposta no valor de R$ 1,3 milhão para fomento a eventos turísticos com o município de Marabá (PA) está em análise desde outubro e já foi empenhada. No entanto, o contrato ainda não foi assinado, pois a Prefeitura não apresentou toda a documentação necessária. O Ministério esclarece ainda que a decisão de quais atrações e/ou artistas contratar é uma premissa do município, não havendo qualquer interferência do governo do Brasil na utilização do recurso”, concluiu a nota do ministério.
