Transformações estratégicas marcam nova fase da rede de lojas de conveniência
A rede de lojas de conveniência 7-Eleven anunciou que seu CEO, Joe DePinto, se aposentará no final deste mês. Essa mudança ocorre em um momento crítico, já que a controladora japonesa Seven & i Holdings está em busca de uma reestruturação significativa dos negócios. DePinto esteve à frente da empresa por duas décadas, durante as quais liderou a expansão com a aquisição das redes de postos de gasolina Speedway e Sunoco.
Com a saída de DePinto, a 7-Eleven informou que a presidência ficará sob a responsabilidade de Stan Reynolds, enquanto Doug Rosencrans, o atual diretor de operações da unidade americana, também irá co-liderar a empresa interinamente. A mudança foi divulgada em um comunicado na última sexta-feira (19) pela 7-Eleven, refletindo a intenção da matriz de implementar uma nova estratégia de liderança.
A Seven & i, que tem raízes profundas no Japão, foi fundamental na introdução e no aprimoramento do conceito de loja de conveniência, que hoje é um dos pilares do varejo em muitos países. Atualmente, a holding está passando por uma reavaliação abrangente, que inclui a venda parcial da unidade nos Estados Unidos e uma transformação na alta administração.
Essa transformação foi impulsionada, em parte, pelo interesse anterior da Alimentation Couche-Tard em adquirir a 7-Eleven por cerca de ¥ 6,77 trilhões (aproximadamente US$ 43 bilhões). Essa proposta, que provocou discussões intensas, acabou sendo abandonada no início deste ano. Em termos de compensação, Joe DePinto se destacou como o executivo mais bem pago da empresa, recebendo ¥ 7,7 bilhões e ¥ 4,35 bilhões nos dois últimos anos fiscais.
Stephen Dacus, que assumiu a posição de CEO da Seven & i em Tóquio há seis meses, enfatizou que a empresa está focada em “iniciativas transformacionais” voltadas para liderança, capital e operações comerciais, com o objetivo de melhorar seu desempenho. “Estamos comprometidos em encontrar, por meio de um processo rigoroso de seleção, o líder certo para a 7-Eleven, que possa nos ajudar a trabalhar em harmonia como um grupo”, afirmou Dacus em seu comunicado.
Nos últimos dez anos, a 7-Eleven ampliou sua presença na América do Norte, adquirindo os postos de gasolina Sunoco em um negócio que custou US$ 3,1 bilhões em 2018, seguido pela compra dos pontos de venda Speedway, da Marathon Petroleum, em um investimento de US$ 21 bilhões em 2021. Dacus apontou que a rede de lojas está em um “ponto de virada” e tem planos de abrir mais de 2.000 novas lojas para fortalecer seu crescimento futuro.
Entretanto, a empresa também enfrenta desafios, como a inflação que afeta os hábitos de consumo tanto no Japão quanto nos Estados Unidos, além do aumento dos custos operacionais. Em outubro, a Seven & i foi forçada a revisar suas projeções de lucro operacional para o ano fiscal que se encerra em fevereiro, ajustando sua estimativa para ¥ 404 bilhões, com uma receita prevista de ¥ 10,6 trilhões. Como resultado, as ações da holding caíram 11% este ano, contrastando com o aumento de 21% do índice de referência Topix.
Essas mudanças na liderança e a reestruturação estratégica da 7-Eleven sinalizam uma nova fase para a rede, que busca não apenas se adaptar às realidades do mercado, mas também se posicionar de forma competitiva em um cenário econômico desafiador.
