Uma Nova Etapa na Política Baiana
O ex-prefeito de Salvador, ACM Neto (União), anunciou oficialmente sua candidatura ao governo da Bahia nas eleições de 2026. Este é um marco importante, considerando o histórico político da Bahia, onde Neto se destaca como herdeiro do carlismo, uma tradição política que moldou a cultura política local. Nos últimos meses, o nome de Neto tem sido testado em diversas pesquisas eleitorais, onde aparece à frente do atual governador, Jerônimo Rodrigues (PT), que busca a reeleição.
Ao declarar sua candidatura, Neto afirmou durante um evento no Sul do estado: “Sou candidato a governador da Bahia. Estou nessa porque sinto que todos nós temos uma responsabilidade e um compromisso com o futuro da Bahia e do Brasil, e uma coisa está diretamente ligada à outra.” Essa declaração ressalta seu desejo de se conectar com os anseios da população, sobretudo em um cenário político repleto de incertezas.
Em 2022, Neto teve uma experiência desafiadora ao concorrer ao governo baiano, enfrentando Jerônimo, um nome relativamente desconhecido até então. O que se seguiu foi uma campanha marcada por reviravoltas, onde Neto liderou as pesquisas até pouco antes da votação. No entanto, com a nacionalização da campanha e a forte influência de Lula, que obteve 69,7% dos votos no primeiro turno, o cenário se alterou drasticamente. Jerônimo conseguiu reverter a situação e venceu o ex-prefeito na segunda rodada, com 52,8% dos votos.
A Concorrência e os Desafios da Eleição de 2026
A trajetória eleitoral recente mostra que os candidatos do PT, como Rui Costa e Jaques Wagner, frequentemente começam atrás nas pesquisas, mas conseguem consolidar seu espaço e vencer as eleições. A última pesquisa Genial/Quaest, realizada em agosto, apresenta ACM Neto com 41% das intenções de voto, contra 34% do governador Jerônimo. Apesar da vantagem, vale ressaltar que a aprovação de Jerônimo é alta, alcançando 59%, o que pode facilitar seu crescimento eleitoral.
Desde 2006, o PT tem dominado as eleições baianas, desbancando a hegemonia do PFL, que mais tarde se transformou em DEM e, posteriormente, se uniu ao PSL, formando o União Brasil. Essa mudança no cenário político é significativa, refletindo a evolução das preferências eleitorais e a adaptação dos partidos a novas realidades. Historicamente, o PFL foi vitorioso nas disputas entre 1990 e 2002, quando ACM, avô de Neto, ocupou a cadeira de governador por dois mandatos durante a ditadura militar, filiado ao Arena e posteriormente ao PDS.
ACM Neto, ao longo de sua carreira política, foi deputado estadual e federal e ocupou o cargo de prefeito de Salvador por dois mandatos. Antes de sua tentativa ao governo, ele conseguiu emplacar Bruno Reis (União) como seu sucessor na prefeitura, um gesto que demonstra sua influência e estratégia política dentro da capital baiana. Embora o PT tenha dominado as esferas estaduais, nunca conseguiu conquistar a prefeitura de Salvador, evidenciando uma dissociação entre as preferências eleitorais na capital e no estado.
Uma Oposição Estrategicamente Planejada
Durante o evento em que confirmou sua candidatura, Neto também deixou claro que sua postura será de oposição ao PT em nível nacional. Ele declarou: “O meu candidato é o candidato para ajudar a derrotar o PT, para ganhar a eleição aqui e em todo o Brasil.” Essa afirmação ilustra sua intenção de se posicionar como um líder que busca unir forças contra o partido que tem se mostrado dominante na política baiana e nacional nos últimos anos.
Outro ponto interessante levantado pela pesquisa da Quaest é que 40% dos baianos desejam que o próximo governador seja alinhado a Lula, enquanto 49% preferem um candidato independente. Apenas 9% do eleitorado manifesta simpatia por um nome associado a Jair Bolsonaro. Essa divisão poderá influenciar diretamente na estratégia de campanha de Neto, que, por sua vez, já optou por uma postura mais cautelosa ao se manifestar sobre suas preferências políticas durante o segundo turno de 2022.
