Crisis no Saneamento em Manaus
Manaus/AM – O discurso sobre a expansão do saneamento básico na capital amazonense enfrenta um duro contraste com a realidade precária e as cobranças indevidas. Nos três primeiros meses de 2026, a concessionária Águas de Manaus já acumulou R$ 3,3 milhões em multas aplicadas pela Agência Reguladora dos Serviços Públicos Delegados do Município de Manaus (Ageman). Esse valor representa cerca de 50% do total das multas impostas em 2025, evidenciando um agravamento das irregularidades no sistema de água e esgoto da região.
O caso mais emblemático dessa crise de gestão se localiza na comunidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, na Cidade Nova. No papel, o programa ‘Trata Bem Manaus’ deveria proporcionar dignidade aos moradores, mas o que se observou foram problemas estruturais e crescente revolta. Os moradores, indignados com a situação, têm se mobilizado para reivindicar melhorias.
A Ageman constatou que a concessionária estava cobrando tarifas de esgoto sem a devida prestação do serviço. Vistorias técnicas revelaram um cenário alarmante: dejetos sendo despejados diretamente no igarapé Goiabinha, obras que não foram concluídas desde 2024 e a ausência de uma rede coletora funcional em várias ruas, mesmo com cobranças nas faturas.
A punição de R$ 2,4 milhões foi especificamente relacionada a essa situação crítica e só foi imposta após a mobilização dos moradores, que organizaram um abaixo-assinado denunciando o abuso. De acordo com Elson Andrade, diretor-presidente da Ageman, foram identificadas ‘não conformidades que comprometem a adequada prestação do serviço’, levando a agência a emitir seis autos de infração.
A concessionária agora possui um prazo de 15 dias para recorrer da decisão, mas o histórico é desanimador. Com 11 infrações registradas apenas neste trimestre, fica evidente que as multas são muitas vezes vistas como um ‘custo de operação’ e não refletem uma verdadeira preocupação com a qualidade do serviço prestado à população mais vulnerável.
