Projeções Preocupantes para Manaus e Manacapuru
MANAUS (AM) – O 13º Boletim de Alerta Hidrológico da Bacia do Amazonas, emitido nesta terça-feira, 31, pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB), revela um cenário alarmante. Há uma probabilidade crítica de inundação em áreas urbanas de Manaus e em Manacapuru, cidade situada a 68 quilômetros da capital amazonense. As previsões sugerem que os níveis dos rios Solimões e Negro devem ultrapassar as cotas de inundação nas próximas semanas, elevando a preocupação com os impactos diretos à população e à infraestrutura dessas localidades.
Segundo Andre Martinelli, pesquisador e gerente de Hidrologia e Gestão Territorial da Superintendência Regional de Manaus (SUREG-MA), a situação aponta para uma cheia com níveis próximos à média histórica. Martinelli explica: “O ciclo 2025/2026 apresenta grande variabilidade; no início do ciclo, o fenômeno La Niña teve influência, resultando em níveis próximos ao limite superior da normalidade. Desde janeiro de 2026, observamos uma transição para a neutralidade do fenômeno ENSO, fazendo com que os níveis se aproximem da média nas principais estações monitoradas.”
Risco de Inundações em Manacapuru e Manaus
Os dados específicos para Manacapuru indicam uma chance alarmante de 98% de que o Rio Solimões atinja a cota de inundação, que está fixada em 18,20 metros. Estima-se que o nível do rio chegue a aproximadamente 19,40 metros. Por outro lado, a possibilidade de que a cota de inundação severa, de 19,60 metros, seja atingida é de cerca de 37%, sinalizando um agravamento do cenário se a elevação prosseguir na taxa prevista pelos modelos hidrológicos.
Em Manaus, o Rio Negro demonstra um comportamento semelhante, apresentando 92% de probabilidade de atingir a cota de inundação, estabelecida em 27,50 metros. O pico projetado deve ser em torno de 28,31 metros, enquanto a chance de alcance da cota de inundação severa, de 29 metros, é de 12%. Isso gera um estado de alerta para as áreas mais vulneráveis da capital.
Eventos Extremes e Anomalias Hidrológicas
O boletim também destaca uma anomalia no estado do Acre, onde o Rio Acre, em Rio Branco, apresentou uma elevação abrupta de 4,75 metros em apenas uma semana. Esse aumento é considerado fora do padrão e indica uma resposta intensa às condições climáticas locais recentes.
A análise climática também revela um contraste significativo na região amazônica. Enquanto algumas bacias enfrentam um déficit de precipitação, como em Coari, Tefé, Jutaí e Japurá, onde a situação é classificada como “extremamente seca”, outras como as bacias dos rios Negro, Solimões, Içá e Javari são consideradas “muito secas”. Essa variação pode impactar diretamente o comportamento das cheias futuras, alterando tanto a duração quanto a intensidade do ciclo hidrológico nos meses que virão. No entanto, a situação atual dos rios é crucial para o avanço das águas sobre áreas urbanas que já são propensas a alagamentos.
Desafios para o Rio Madeira e Comparações Históricas
Outro ponto relevante exposto no boletim é o nível do Rio Madeira em Porto Velho, que está abaixo da média esperada para o período. Essa condição é um contraste com outras regiões da bacia e pode ter consequências diretas na navegação comercial e na geração de energia hidrelétrica na área.
A comparação com eventos recentes destaca a variabilidade do sistema hidrológico na Amazônia. Os níveis atuais estão entre os extremos observados em 2021, que foi um ano de cheia histórica, e 2024, marcado por uma seca severa. Na capital amazonense, a cota registrada em 31 de março de 2026 está consideravelmente abaixo da de 2021, porém acima dos índices verificados em 2024, o que evidencia as oscilações intensas enfrentadas nos últimos anos na região.
