Abertura simbólica da Campanha da Fraternidade em Manaus
No dia 18 de fevereiro, Quarta-Feira de Cinzas, teve início a Campanha da Fraternidade 2026, com o tema “Fraternidade e Moradia”. O evento de abertura ocorreu na Alameda Pico das Águas, um espaço significativo que representa as questões abordadas pela campanha. A cerimônia contou com a participação não apenas de moradores da região, mas também de líderes comunitários, membros das pastorais, diáconos, presbíteros, bispos auxiliares e do arcebispo de Manaus, Cardeal Leonardo Steiner, que presidiu a celebração.
“Ao darmos início à campanha da fraternidade em nossa Arquidiocese, nos unimos a todas as igrejas de dioceses e prelazias do Brasil. Este é um momento de conversão e reflexão, um tempo de mudanças estruturais e sociais, essenciais para que possamos viver em verdadeira fraternidade. Ao refletirmos sobre a moradia, nosso objetivo é assegurar que todas as famílias tenham um lar digno, um espaço que permita lazer e cultura para o crescimento harmonioso de todos”, disse o Cardeal Steiner em sua mensagem inaugural.
Desafios históricos da moradia em Manaus
Durante sua fala, o Cardeal abordou a longa trajetória da problemática da moradia em Manaus e no Brasil. Ele ressaltou a importância de reviver esse tema, convocando a sociedade a exigir de seus governantes políticas públicas que garantam dignidade às famílias que sofrem com a falta de moradia adequada.
“A preocupação com moradia é um assunto que persiste no Brasil. A Igreja, ao eleger este tema para a campanha deste ano, demonstra sua consciência sobre a necessidade urgente de discutir e orar em torno da moradia digna. O local escolhido para a abertura é extremamente simbólico, especialmente com a chuva, que reforça a urgência dessa discussão. Devemos refletir e nos mobilizar em favor daqueles que mais necessitam”, ressaltou o arcebispo.
Reflexão sobre a Quaresma e a justiça social
Dom Zenildo Lima, bispo auxiliar de Manaus, também compartilhou suas reflexões sobre a Campanha da Fraternidade e sua relevância no contexto da Quaresma, um período de jejum e reflexão. “O jejum que promovemos não se limita à renúncia; ele visa uma transformação mais profunda em nossa maneira de viver, despertando em nós a fome de justiça. A verdadeira justiça está interligada ao reino de Deus e à dignidade de cada ser humano”, afirmou Dom Zenildo.
Ele destacou que o local do evento, uma área que abriga igarapés e onde muitas famílias foram desapropriadas devido a riscos, traz à tona a realidade da política habitacional em Manaus, que não tem conseguido acompanhar o crescimento urbano da cidade. “Celebrar essa abertura aqui nos leva a refletir sobre nossa desastrosa política habitacional, caracterizada pela falta de planejamento e pela degradação dos nossos igarapés e áreas verdes”, lamentou o bispo.
A Campanha e o chamado à ação
O bispo também enfatizou a importância de ações concretas em favor da moradia digna, convocando a comunidade a refletir sobre o que pode ser feito. “A campanha nos convida a olhar para a realidade da moradia com sensibilidade. A pergunta sobre moradia nesta Quaresma nos leva a considerar a forma como escolhemos viver e conviver em comunidade. Precisamos promover espaços que garantam a dignidade e o crescimento pessoal, além de fomentar a cultura e o lazer”, concluiu Dom Zenildo.
