Pressão Sobre Eduardo Braga
A pré-candidatura do prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), ao governo do Amazonas intensifica a pressão sobre o senador e ex-governador Eduardo Braga (MDB), obrigando-o a definir sua posição nas eleições de 2026. O lançamento da candidatura de Almeida revela um descontentamento claro com a aliança anteriormente prometida ao senador Omar Aziz (PSD), que havia garantido apoio nas eleições municipais de 2024.
Braga, sempre visto como um elo fundamental nessa parceria, é um aliado histórico tanto de Almeida quanto de Aziz. Em um movimento inesperado, Almeida começou a sinalizar sua intenção de concorrer ao governo, afirmando que “não devia nada” a Omar Aziz, e lançou críticas direcionadas a Braga, que, por sua vez, preferiu minimizar as tensões e continuar ao lado do prefeito da capital.
O Contexto da Candidatura
Durante o evento de lançamento da pré-campanha, Almeida revelou ter se sentido “ameaçado” por Omar Aziz. Este anúncio ocorreu em um momento delicado, logo após uma operação da Polícia Civil que resultou na prisão de uma ex-chefe de gabinete de Almeida, envolvendo o núcleo político do Comando Vermelho no Amazonas. A expectativa é que, sem apresentar provas, o entorno da candidatura de Almeida busque atribuir a responsabilidade pela prisão a Aziz.
Na última sexta-feira (27), Aziz fez o lançamento do seu Plano Estratégico de Desenvolvimento, aproveitando a ocasião para refutar as acusações e alegar que Almeida teria cometido irregularidades em seu cargo. Ele também mencionou ter processado familiares de Almeida, intensificando ainda mais o conflito entre os dois.
Quem é Eduardo Braga?
Eduardo Braga, senador pelo Amazonas e líder do MDB, tem uma trajetória política que inclui ser governador do estado entre 2003 e 2010, além de ter sido deputado federal, vice-prefeito de Manaus e vereador. Desde 2011, ocupa uma cadeira no Senado e já foi ministro de Minas e Energia durante o governo de Dilma Rousseff (PT). Recentemente, tem se destacado como relator de importantes reformas, incluindo a Reforma Tributária e a do setor elétrico, além de integrar a comissão sobre o Banco Master.
O Imbróglio Político
Braga tem se esforçado para manter uma posição neutra, sendo amigo tanto de Almeida quanto de Omar Aziz, mesmo diante da ruptura. Juntos, eles compõem a base do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e são considerados peças centrais no Senado. Omar, que atuou como vice-governador de Braga durante seu mandato, possui uma base forte no interior do estado, enquanto Almeida controla a capital, o que torna a situação ainda mais complexa para Braga.
Até o momento, o senador tem evitado fazer declarações sobre quem apoiará na disputa eleitoral. Em fevereiro, ele comentou que sempre defendeu a união, em resposta ao rompimento entre Omar e Almeida, mas essa fala não foi bem recebida pelos aliados de Aziz, que afirmam que o senador não tem interesse em uma aliança e esperam que Braga declare oficialmente seu apoio até abril.
A Incerteza em Torno de Wilson Lima
A situação se complica ainda mais com a indefinição sobre o futuro do atual governador do Amazonas, Wilson Lima (União Brasil). Lima ainda não decidiu se deixará o Palácio Rio Negro até abril, prazo limite para a descompatibilização, para concorrer ao Senado, ou se optará por cumprir seu mandato até o fim. Se Wilson sair do governo, David Almeida poderá consolidar sua candidatura com o suporte da máquina administrativa, o que o colocaria em uma posição favorável.
Por outro lado, se Lima permanecer no cargo, isso pode beneficiar Omar Aziz em detrimento de Almeida, já que o governador e o senador têm uma relação respeitosa, mas sem perspectivas de aliança política, visto que Aziz é um aliado de Lula. A expectativa é que Lima mantenha sua decisão em aberto por um tempo maior, já que ele mesmo declarou não ter pressa para decidir seu futuro político.
