Movimentações políticas em Manaus e seus desdobramentos
A pré-candidatura do atual prefeito de Manaus, David Almeida, do Avante, ao governo do Amazonas traz uma nova dinâmica ao cenário político local, intensificando a pressão sobre Eduardo Braga, senador e ex-governador do estado, do MDB. Com as eleições de 2026 se aproximando, a pressão para que Braga defina um palanque eleitoral se torna cada vez mais evidente.
O anúncio de Almeida marca uma clara ruptura em sua aliança com o senador Omar Aziz, do PSD, com quem havia prometido reciprocidade de apoio nas eleições municipais de 2024. Braga, que sempre foi uma figura central nessa união, se vê agora em uma situação delicada, uma vez que seus laços com ambos os políticos estão sendo colocados à prova.
Desde o final de 2025, Almeida começou a indicar sua intenção de se lançar na disputa pelo governo, afirmando que “não devia nada” a Aziz. Além disso, fez críticas ao comportamento de Braga, que, por sua vez, minimizou as desavenças, mantendo sua posição como aliado do prefeito. Ao lançar sua pré-campanha, Almeida mencionou ter se sentido “ameaçado” por Aziz, especialmente em meio às revelações de uma operação da Polícia Civil que resultou na prisão de uma ex-chefe de gabinete, levada à frente após uma investigação que envolveu o núcleo político do Comando Vermelho no Amazonas.
Almeida e seus apoiadores insinuaram, sem apresentar provas, que Omar Aziz estaria por trás da prisão. Em resposta, Aziz, durante o lançamento de seu Plano Estratégico de Desenvolvimento, negou as alegações e, de forma contundente, acusou Almeida de prevaricação. O senador ainda revelou ter processado membros da família de Almeida por suas declarações.
Eduardo Braga, que esteve ao lado de Aziz durante o evento de lançamento do plano, conta com o apoio de deputados federais que fazem parte de sua base.
Quem é Eduardo Braga?
Eduardo Braga é uma figura influente na política amazonense. Ele é senador pelo Amazonas e ocupa a liderança do MDB, tendo sido governador do estado entre 2003 e 2010. Antes disso, ele ocupou cargos como deputado federal, vice-prefeito de Manaus e vereador. Desde 2011, está no Senado e, entre 2015 e 2016, serviu como ministro de Minas e Energia sob o governo de Dilma Rousseff.
Atualmente, Braga se destaca na legislatura, tendo relatado projetos importantes como a Reforma Tributária e a reforma do setor elétrico. Ele também faz parte da comissão da CAE, que cuida dos assuntos relacionados ao Banco Master.
Os desafios de Braga no cenário atual
Apesar do rompimento entre Almeida e Aziz, Eduardo Braga mantém uma relação de aliança com ambos, uma manobra que pode se mostrar complexa. Ambos os políticos fazem parte da base do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e são considerados articuladores significativos no Senado. A relação entre Aziz e Braga é reforçada pelo fato de que Aziz foi vice-governador de Braga durante seu mandato como governador.
Ambos têm bases eleitorais consolidadas no interior do estado, enquanto Almeida é forte na capital, Manaus, o que cria um cenário de competição e cooperação ao mesmo tempo. No entanto, a falta de declarações claras de Braga sobre qual candidato apoiará nas próximas eleições gerou desconforto, especialmente entre os aliados de Omar Aziz, que afirmam que o senador não se mostra interessado em uma união.
Recentemente, aliados de Aziz expressaram a expectativa de que Braga tome uma posição clara em relação ao apoio ao senador até o início de abril.
O papel de Wilson Lima nas eleições
A indefinição sobre o futuro do governador do Amazonas, Wilson Lima, do União Brasil, adiciona mais uma camada de complexidade à situação. Lima ainda não decidiu se deixará o cargo até abril, data limite para descompatibilização, para concorrer ao Senado, ou se optará por permanecer à frente do governo até o final de seu mandato.
Se o governador decidir se candidatar ao Senado, o vice-governador Tadeu de Souza, do Avante, assumiria a gestão estadual. Essa mudança poderia favorecer Almeida, que teria à disposição a estrutura da prefeitura e do governo para uma eventual corrida eleitoral. Por outro lado, se Lima decidir permanecer no cargo, isso poderia beneficiar Omar Aziz em detrimento de David Almeida.
Compreendendo essa dinâmica, o governador tem postergado sua decisão, afirmando a interlocutores que não há pressa para definir seu futuro político, mantendo conversas com líderes de diferentes partidos, incluindo o Avante e o PL de Jair Bolsonaro, com quem já teve uma relação estreita. Apesar de manter uma relação respeitosa com Aziz, não há expectativa de que se formem alianças políticas, especialmente devido ao alinhamento de Aziz com o governo federal liderado por Lula.
