Desdobramentos do Caso Benício
No dia 23 de novembro, Benício faleceu após receber uma dose de adrenalina intravenosa durante um atendimento hospitalar. A investigação revelou que a via e a dosagem administradas não eram adequadas ao quadro clínico da criança. Após a aplicação, Benício sofreu várias paradas cardíacas e não sobreviveu.
Segundo informações do G1, a Polícia Civil do Amazonas solicitou ao Tribunal a ampliação do prazo para concluir a investigação em mais 45 dias, destacando que ainda há etapas cruciais a serem realizadas. Entre elas, estão o depoimento de testemunhas, a coleta de laudos de exame necroscópico e a elaboração do relatório final.
Os principais pedidos feitos no novo prazo incluem: a coleta de depoimentos de testemunhas que ainda não foram ouvidas; a juntada dos laudos do exame necroscópico; e a conclusão do relatório final da investigação.
A médica Juliana Brasil Santos é uma das investigadas no caso e se vê no centro da polêmica. De acordo com as apurações, ela teria encomendado a adulteração de um vídeo para tentar justificar o erro na prescrição da adrenalina. O vídeo, supostamente, buscava apresentar a falha como um erro do sistema do Hospital Santa Júlia.
No entanto, as perícias demonstraram que o conteúdo do vídeo foi manipulado. Mensagens trocadas no celular de Juliana indicam que ela ofereceu dinheiro a colegas para a produção do material. Em áudios obtidos pela polícia, ela menciona a necessidade de alguém que editasse o vídeo e diz que “amanhã vai chegar o vídeo pra mim, já alterado”. Essa tentativa de fraude processual reforça a suspeita de dolo eventual no caso, que ainda está sob investigação pelo 24º Distrito Policial.
Erros e Responsabilidades
O principal erro apontado pela polícia refere-se à prescrição e aplicação inadequada da adrenalina. O protocolo médico recomenda que a medicação seja administrada por uma via diferente e com dosagem distinta. A aplicação errada foi um fator que contribuiu para a rápida deterioração do estado de saúde da criança.
As investigadas incluem a médica Juliana Brasil e a técnica de enfermagem Raiza Bentes, que foi responsável pela administração da medicação. Ambas foram afastadas de suas funções por ordem judicial e estão impedidas de atuar por um período de 12 meses. Até o momento, não houve decretos de prisão.
No depoimento, a médica admitiu ter cometido um erro ao prescrever a adrenalina intravenosa e afirmou que a medicação deveria ter sido aplicada de outra forma. Ela expressou surpresa ao perceber que a equipe de enfermagem não havia questionado sua prescrição.
A defesa de Juliana argumenta que o erro aconteceu devido a uma falha no sistema de prescrição do hospital, que teria alterado automaticamente a via do medicamento durante problemas técnicos no dia do atendimento.
A técnica de enfermagem, por sua vez, declarou que apenas seguiu a prescrição da médica ao aplicar a adrenalina, sem diluição, e que informou a mãe da criança sobre o procedimento. Ela relatou que, após a administração, Benício apresentou sintomas como palidez, dor no peito e dificuldade para respirar.
Investigações em Andamento
A Polícia Civil já ouviu mais de 20 pessoas no decorrer da investigação, incluindo os pais de Benício, as investigadas, médicos, enfermeiros e representantes do Hospital Santa Júlia, que também é alvo de apuração. O inquérito busca entender a responsabilidade do hospital em relação aos protocolos de segurança e eventuais falhas no sistema de prescrição.
Édson Sarkis, fundador da unidade hospitalar, prestou depoimento e alegou que a instituição segue protocolos de segurança rigorosos e que há um sistema de dupla checagem em prática. Segundo ele, havia uma enfermeira responsável pelo protocolo de segurança durante o plantão, mas essa profissional não foi acionada durante o atendimento que resultou na trágica morte de Benício.
O caso, que gerou comoção em Manaus e levantou questões sobre a segurança nas instituições de saúde, segue em investigação, e novos desdobramentos são aguardados nos próximos dias.
