Diplomata Chinês Confronta EUA na ONU
Manaus (AM) – “Nenhum país pode agir como polícia no mundo ou se colocar como juiz internacional.” Essa declaração contundente partiu de Fu Cong, representante da China no Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU), durante uma reunião realizada na última segunda-feira, 5. O diplomata manifestou forte reprovação às ações dos Estados Unidos direcionadas à Venezuela, classificando-as como unilaterais, ilegais e violentas.
No discurso, Fu Cong expressou o profundo choque da China em relação à postura norte-americana, alertando que a utilização indiscriminada da força só tende a agravar as crises internacionais. Ele lembrou que, historicamente, a militarização não resolve conflitos políticos, citando intervenções e sanções duramente impostas pelos EUA nas últimas décadas, incluindo as intervenções no Iraque, os ataques às instalações nucleares do Irã e as pressões econômicas direcionadas a países da América Latina e do Caribe.
O representante chinês enfatizou que a Venezuela é um Estado soberano, com o direito de defender sua dignidade nacional. Além disso, destacou a importância crucial dos países latino-americanos e caribenhos na manutenção da paz mundial. Ao reiterar o apoio de Pequim ao governo e ao povo venezuelano, Fu Cong defendeu o respeito à soberania dos países da região e a preservação da América Latina e do Caribe como uma zona de paz.
“A China apoia firmemente o governo e o povo da Venezuela em sua luta para salvaguardar a soberania, segurança, direitos e interesses legítimos”, reafirmou o representante.
Reunião de Emergência na ONU
A reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, realizada dia 5, teve como foco a operação militar dos Estados Unidos que culminou na captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. A convocação da sessão foi um reflexo da escalada do conflito e da forte reação diplomática de aliados do governo venezuelano.
Em meio a esse contexto, o secretário-geral da ONU, António Guterres, expressou preocupação com as repercussões de tais ações. Em um comunicado enviado por meio de seu porta-voz, Stéphane Dujarric, Guterres declarou estar “profundamente alarmado” com a escalada e ressaltou que “independentemente do que ocorre na Venezuela, esses fatos criam um precedente perigoso.”
Guterres também destacou a necessidade imperativa de respeitar as normas internacionais. “O secretário-geral reitera a importância do pleno respeito – por parte de todos – ao direito internacional, incluindo a Carta da ONU. Ele está bastante preocupado com a falta de respeito às normas do direito internacional nesse cenário”, afirmou a nota. O líder da ONU fez um apelo para que os atores políticos venezuelanos busquem estabelecer um diálogo inclusivo, assegurando os direitos humanos e o Estado de Direito.
