Uma Nova Era para o Descarte de Eletrônicos em Manaus
A Prefeitura de Manaus lançou, na terça-feira (10/02), um inovador projeto de coleta seletiva para produtos eletroeletrônicos. A iniciativa prevê a criação de 62 Pontos de Entrega Voluntária (PEVs) em todas as zonas da cidade, estabelecendo uma rede permanente que visa o descarte ambientalmente responsável de equipamentos eletrônicos fora de uso.
Essa ação se torna ainda mais significativa considerando que Manaus abriga um dos maiores polos industriais do país, com mais de 500 indústrias atuantes no Polo Industrial de Manaus (PIM). As atividades concentram-se principalmente nos setores eletroeletrônico, metalmecânico, de duas rodas, termoplástico e tecnológico, que são fundamentais para o modelo da Zona Franca de Manaus.
Dentro desse cenário, o projeto da prefeitura se alinha à vocação produtiva da capital. O descarte adequado de celulares, computadores, eletrodomésticos e outros equipamentos promove uma fonte estratégica de matéria-prima secundária, que pode ser reintegrada à indústria através da logística reversa, minimizando impactos ambientais e otimizando a valorização econômica dos resíduos gerados.
Papel da Prefeitura e Avanços na Política Ambiental
No evento de lançamento, o secretário municipal de Limpeza Urbana (Semulsp), Sabá Reis, ressaltou que essa iniciativa representa um marco na política ambiental do município. Em suas palavras: “Manaus possui uma forte característica industrial, especialmente no setor eletroeletrônico. Era insustentável que esse tipo de resíduo continuasse a ser direcionado aos aterros ou ao descarte irregular. A prefeitura implementa agora uma estrutura permanente para que esses materiais retornem ao ciclo produtivo, protegendo o meio ambiente e aproveitando melhor os recursos que a própria cidade gera.”
Adicionalmente, o secretário afirmou que a proposta reforça a importância dos ecopontos como espaços de cidadania, educação ambiental e inovação na política de limpeza urbana.
Ecopontos como Ponto de Partida
O coordenador da Semulsp Ambiental, Luiz Paz, detalhou que os ecopontos existentes desempenharão um papel crucial na nova coleta seletiva de eletrônicos. “Os ecopontos das zonas Norte e Sul passarão a funcionar como Pontos de Entrega Voluntária para resíduos eletroeletrônicos, assim como a própria sede da Semulsp. A partir dessa base, os demais PEVs serão implementados gradualmente, totalizando 62 pontos em toda a cidade”, explicou.
Ele acrescentou que a combinação entre pontos fixos e educação ambiental tem potencial para ampliar o impacto do projeto. “Quando a prefeitura disponibiliza a infraestrutura adequada e leva informações à população, a resposta é positiva. O resíduo eletrônico é altamente poluente, mas também extremamente valioso e deve ser retirado do descarte irregular”, complementou.
Logística Reversa e Retorno à Indústria
O projeto conta com a parceria da Circulare, responsável pela plataforma Circular Brain e pela operação da logística reversa. De acordo com Caroline Kerestes, representante da empresa, os eletrônicos descartados serão reintegrados à cadeia produtiva.
“A logística reversa é essencial para devolver à indústria materiais que, se descartados de forma inadequada, seriam perdidos. Esses resíduos se transformam em matéria-prima para novos produtos, utilizando plástico e metais recuperados”, explicou. Após o descarte, os equipamentos serão encaminhados para recicladores homologados, onde acontece a separação técnica dos componentes. Um único produto pode conter até 40 tipos diferentes de materiais, tornando o processo desafiador, mas estratégico.
Cooperativas e Geração de Renda
A iniciativa também visa fortalecer a economia solidária, ao integrar cooperativas de reciclagem no processo de triagem dos materiais. Na Eco-cooperativa, os resíduos eletrônicos são separados e avaliados quanto ao potencial de reaproveitamento. A coordenadora de produção da cooperativa, Ruth Dacio, enfatizou o impacto positivo da ação. “Os eletrônicos possuem valores distintos no mercado. A triagem adequada valoriza o material, gera renda e fortalece o trabalho das cooperativas”, concluiu.
