O Isolamento Político de Collor em prisão domiciliar
Fernando Affonso Collor de Mello, ex-presidente do Brasil, completa um ano cumprindo prisão domiciliar em seu apartamento em Maceió (AL). Desde 1º de maio de 2025, Collor vive em um ambiente que, segundo suas palavras, se tornou solitário e entediante, dado que ele precisa de autorização judicial para receber amigos em meio ao isolamento social. O político, que mantém seu estilo elegante, frequentemente veste terno e gravata durante as visitas.
Collor foi detido em 25 de abril de 2025, no Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares, sob ordens do ministro Alexandre de Moraes, do STF. Ele foi inicialmente levado para a sede da Polícia Federal em Alagoas e, em seguida, para o presídio Baldomero Cavalcante, onde a sala do diretor foi adaptada para atender suas necessidades de saúde. Após seis dias, a prisão domiciliar foi concedida, levando em conta sua idade e condições de saúde, incluindo Parkinson e transtornos afetivos.
Com uma condenação de 8 anos e 10 meses, Collor poderá solicitar a progressão para o regime semiaberto em cinco meses, tendo já cumprido 17 meses de sua pena. As acusações contra ele envolvem corrupção, especificamente por receber propina de um esquema ligado à BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras, algo que ele sempre negou.
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Impacto da Prisão na Política de Alagoas
A ação penal que resultou na prisão de Collor é uma derivação da Operação Lava Jato, com provas coletadas em investigações que envolveram o doleiro Alberto Youssef e colaboradores da operação. O desfecho deste caso foi visto como um precursor da prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, que também solicitou benefícios semelhantes recentemente.
Bolsonaro, que cumpriu prisão domiciliar autônoma, teve sua situação debatida por membros da família, incluindo sua esposa, Michelle, que se reuniu com Moraes em janeiro, pedindo condições similares às de Collor. A estratégia política de Bolsonaro parece se alinhar com a busca por apoio em suas dificuldades legais.
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No edifício onde Collor reside, a rotina dos moradores não foi significativamente alterada, já que o prédio conta com poucos funcionários e uma portaria remota. O ex-presidente está acompanhado por sua esposa, Caroline Serejo Medeiros Collor de Mello, e suas filhas, enquanto os filhos mais velhos vivem em outras localidades, fora de Alagoas.
O imóvel onde o ex-presidente reside é uma cobertura de 600 metros quadrados à beira-mar, com estrutura que inclui varandas, salas, suítes e piscina. A decisão do STF que concede a prisão domiciliar não restringe o uso de telefone e internet, ao contrário do que ocorre com Bolsonaro. Collor deve sair apenas para consultas médicas previamente autorizadas e tem um prazo de 48 horas para reportar qualquer emergência que o faça deixar o apartamento. Seu passaporte foi suspenso.
A Visibilidade de Collor e o Futuro Político
No último ano, Collor recebeu 24 permissões de visita, incluindo empresários, políticos, advogados e jornalistas. Entre os visitantes, destacam-se figuras como o deputado federal Paulinho da Força e o presidente da Assembleia Legislativa de Alagoas, Marcelo Victor (MDB). A ex-primeira dama Michelle Bolsonaro também esteve entre os que tentaram se aproximar de Collor, buscando possíveis alianças.
O isolamento político de Collor se intensificou após a sua derrota nas eleições de 2022, quando tentou retornar ao governo estadual, mas sem sucesso, ficando em terceiro lugar. A professora Luciana Santana, da UFAL, analisa que esse quadro de isolamento é resultado de sua crescente irrelevância política e da dificuldade em retomar sua influência no estado.
Embora as situações de Collor e Bolsonaro apresentem semelhanças, Santana destaca que a principal diferença é a relação política de Bolsonaro, que possui filhos ativos na política, garantindo um legado mais sólido. O futuro de Collor, por outro lado, parece incerto, com o ex-presidente lutando para reconquistar um espaço que parece distante de sua realidade atual.
