Polêmica na Pré-Campanha
A recente filiação do coronel Alfredo Menezes, ex-superintendente da Zona Franca de Manaus (Suframa), ao Partido Avante, em plena Quinta-feira Santa, causou alvoroço nas redes sociais e abriu mais um capítulo controverso na corrida eleitoral do Amazonas. O momento, longe de passar despercebido, foi rapidamente interpretado por internautas como simbólico, evocando o imaginário da traição, um tema que ressoa profundamente no ambiente digital durante esse período de disputas políticas.
Com a chegada do Sábado de Aleluia, que tradicionalmente remete à “malhação de Judas”, Menezes se tornou o foco de críticas e ironias. A denominação “Coronel Judas” ganhou força, especialmente por ele se filiar ao mesmo partido de um antigo rival político, o ex-prefeito de Manaus, David Almeida, que abandonou o cargo para almejar o governo do Amazonas. Essa reação não apenas reflete o simbolismo da data, mas também a memória fresca do eleitorado, que observa com atenção e demanda coerência no discurso dos políticos.
Reações nas Redes Sociais
Para muitos, a mudança de rumo de Menezes representa uma contradição evidente; para outros, trata-se apenas de mais uma manobra pragmática em um cenário político que raramente se caracteriza por aliança duradoura. Contudo, o episódio amplia a percepção sobre a trajetória de Menezes, evidenciando sua reputação de frequentar novas posições, em contrapartida ao discurso de fidelidade ideológica que o destacou como uma das principais figuras do bolsonarismo no Amazonas.
As redes sociais funcionaram como um termômetro instantâneo deste desgaste. “Esse homem não tem lugar, vive pulando de galho em galho”, afirmou um usuário. Outro internauta expressou desconfiança: “Já vimos que nesse não podemos confiar”. Já houve quem considerasse Menezes uma figura eleitoral esvaziada: “Esse Menezes já virou candidato folclórico”, ironizou um comentarista. “Não ganhou antes, agora que não ganha mesmo”, acrescentou outro. Em meio a tantas críticas, surgiram também alertas pragmáticos: “Era melhor ficar neutro, vai se queimar”.
Histórico de Conflitos e Mudanças
A desconfiança se intensifica ao relembrar declarações passadas de Menezes. Em março de 2022, ele havia declarado, em áudios que vieram à tona, que estava “dando porrada no prefeito, direto”, em uma tentativa de minar a gestão de David Almeida – que, na época, chegou a qualificar o coronel como “inimigo de Manaus”. Em janeiro deste ano, Menezes voltou a atacar o então prefeito com críticas pessoais, chamando-o de “despreparado” e “instável”. Esse histórico de conflitos torna a atual aproximação ainda mais delicada aos olhos do público.
Entretanto, essa guinada na trajetória de Menezes não é um fenômeno isolado. Em 2024, ele já havia se distanciado do núcleo do bolsonarismo no Amazonas, após conflitos internos no PL, e se candidatou a vice-prefeito ao lado de Roberto Cidade, formando uma coligação de centro. Agora, ao filiar-se ao Avante e ser anunciado como pré-candidato a deputado federal pela federação, ele consolida mais um reposicionamento em sua jornada política.
