Reconhecimento de Erros Políticos
MANAUS (AM) – Em uma declaração surpreendente, o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), abordou publicamente a ruptura com o vice-governador Tadeu de Souza (PP). Durante uma reunião realizada na manhã desta terça-feira, 24 de março, na sede da Secretaria Municipal de Limpeza Pública (Semulsp), Almeida classificou sua escolha de Tadeu para acompanhar Wilson Lima (União Brasil) em 2022 como um erro tanto estratégico quanto pessoal. O prefeito não hesitou em rotular seu ex-aliado como um ‘fracassado moral’, referindo-se à sua recente mudança de grupo político.
A declaração fez parte de um encontro de despedida, onde Almeida anunciou sua intenção de renunciar ao cargo de prefeito no dia 31 de março, com o objetivo de concorrer ao governo do estado em 2026.
Pedido de Desculpas aos Aliados
Em um momento de reflexão e arrependimento, o prefeito expressou suas desculpas a seus aliados, particularmente ao secretário Sabá Reis, pedindo que a mensagem fosse repassada aos deputados Abdala Fraxe (Avante) e ao vice-prefeito Marcos Rotta. Almeida recordou o contexto de 2022, quando foi desafiado a escolher um vice para a reeleição de Wilson Lima, em um período em que Prefeitura e Estado se mostravam aliados.
“Eu queria pedir desculpas, Sabá. Leve as mesmas desculpas ao Abdala e transmitam ao Marcos Rotta. Há quatro anos, eu estava diante de uma escolha e eu errei”, declarou Almeida, evidenciando um tom de arrependimento em sua fala.
Além disso, o prefeito contrastou a lealdade de seus atuais secretários com a postura de Tadeu de Souza, ressaltando seu reconhecimento sobre a escolha equivocada: “Peço desculpas pelo erro da escolha. Ainda assim, vocês não me deixaram; permanecem meus amigos e companheiros ao meu lado. Eu escolhi um fracassado moral no lugar de pessoas honradas, decentes e amigos leais como vocês”, afirmou.
Contexto da Indicação de Tadeu
Na época em que fez a indicação, Almeida analisou diferentes possibilidades em seu primeiro escalão, considerando nomes que haviam deixado seus cargos para se tornarem elegíveis, como Sabá Reis (Semulsp), a secretária de Saúde Shádia Fraxe e Tadeu de Souza, que era o secretário-chefe da Casa Civil. A escolha de Tadeu foi motivada pela confiança técnica e pela proximidade pessoal que o ligava ao prefeito naqueles tempos.
No entanto, o clima político mudou consideravelmente desde então. Com a oficialização da mudança de Tadeu de Souza para o PP em fevereiro, que faz parte da base de apoio do governador Wilson Lima, a relação entre os antigos aliados se tornou tensa. Hoje, Tadeu é visto como um potencial sucessor de Wilson, o que coloca a possibilidade de um confronto direto nas próximas eleições, em outubro, contra David Almeida.
A movimentação política em Manaus está aquecida, e os recentes desdobramentos sinalizam que a disputa pelo governo pode ser marcada por reviravoltas e desentendimentos entre antigos aliados. O cenário atual levanta questionamentos sobre a dinâmica eleitoral e como as decisões tomadas há alguns anos podem impactar o jogo político no estado.
