A Luta pelo Voto da Oposição
Em 1981, o mundo foi apresentado ao icônico Indiana Jones, um professor de arqueologia que, com seu chapéu e chicote, embarca em grandes aventuras. Assim como o protagonista, a oposição brasileira precisa se preparar para uma jornada desafiadora na eleição nacional de 2026, que exige superar obstáculos significativos para retomar o Palácio do Planalto. Para triunfar, será necessário não apenas unir forças em torno do antipetismo de chegada no primeiro turno, mas também conquistar os 3% do eleitorado que podem determinar a vitória na fase final da disputa.
Desde 2014, um fenômeno notável se consolidou nas eleições presidenciais: o antipetismo de chegada. Na prática, isso significa que muitos eleitores optam por concentrar seus votos em um único candidato, considerando o potencial de derrotar um petista na segunda volta como um fator crucial na decisão de voto. Essa dinâmica se reflete nas diferenças de votação entre os candidatos ao longo das últimas eleições.
Em 2014, a disparidade entre Aécio Neves e Marina Silva foi de 12 pontos percentuais, com uma ascensão do candidato tucano na reta final. Já em 2018, Jair Bolsonaro alcançou uma diferença de mais de 41 pontos em relação a Geraldo Alckmin. Nesse contexto, um grande número de eleitores tradicionalmente ligados ao PSDB se alistou nas fileiras do bolsonarismo. Em 2022, a diferença entre Jair Bolsonaro e Simone Tebet se manteve em padrões similares, indicando a antecipação do resultado do segundo turno. Essa tendência deve se repetir em 2026, onde a verdadeira batalha se dará pelo antipetismo concentrado.
Os Desafios da Oposição
Para superar essa fase, a oposição precisa demonstrar sua viabilidade para vencer o atual presidente. Os candidatos com sobrenomes conhecidos carregam tanto o benefício de uma marca forte quanto o ônus da rejeição, que já está bem sedimentada. Por outro lado, os possíveis candidatos governadores não enfrentam o mesmo grau de rejeição ligado a Bolsonaro, mas devem trabalhar arduamente para se tornarem reconhecidos pelo eleitorado.
A bipolaridade dessa situação é evidenciada nas pesquisas que abordam a questão central deste ciclo eleitoral: a aprovação ou desaprovação do presidente Lula. Esse será o dilema central que os eleitores terão que enfrentar, e a pesquisa Meio/Ideia de fevereiro revela que 51% dos entrevistados acreditam que Lula não merece permanecer no cargo, enquanto 47% afirmam que ele merece, com 2% sem opinião formada. Portanto, a eleição de 2026 já se apresenta com um alto nível de antipetismo desde o início.
Dentro do grupo que se manifesta como contrário a Lula ou indeciso, há um subconjunto que será fundamental para a disputa pelo Planalto: os 3% de eleitores que oscilaram entre votar em Bolsonaro em 2018 e Lula em 2022. Esses eleitores são essenciais e precisam ser conquistados. A tarefa não será fácil, pois o perfil deles é predominantemente composto por empreendedores urbanos, com renda variando de 2 a 5 salários mínimos, majoritariamente mulheres e com forte aversão à política tradicional. Estima-se que esse grupo represente cerca de 4,5 milhões de votos.
Um Cenário Complicado
O atual governo não parece atrair esses eleitores, enquanto o petismo tenta se conectar com eles utilizando uma linguagem que lembra o passado. Assim, a narrativa tradicional de uma luta de classes entre ricos e pobres não se aplica de forma direta a esse grupo. Por outro lado, a oposição corre o risco de ficar presa em um discurso que sugere que a solução para todos os problemas é simplesmente “tirar o PT” do poder, sem considerar as particularidades e as realidades enfrentadas por esse segmento específico do eleitorado.
A disputa para ganhar a confiança desses 3% permanece em aberto. Até agora, tanto o governo quanto a oposição falharam em oferecer uma visão clara e inspiradora para o presente e futuro desse grupo. Aqueles que não conseguirem articular uma proposta convincente durante a campanha terão dificuldades em justificar uma eventual derrota como mera coincidência ou um erro de percurso.
