Os Bastidores da Política Amazonense
A política no Brasil é marcada por janelas de oportunidade, sendo a mais crucial a “Janela Partidária”. Com a aproximação de março, um período onde deputados têm a chance de mudar de partido sem perder o mandato, o Amazonas se prepara para uma reorganização que pode alterar a história política do estado. Enquanto o dia 4 de abril se aproxima, o ambiente em Manaus está repleto de movimentações estratégicas, onde a busca pela sobrevivência política e novas lideranças se tornam urgentes.
O cenário atual reflete uma verdadeira metamorfose no Amazonas, onde figuras outrora imbatíveis enfrentam o risco de serem superadas por novas lideranças. Neste contexto, as alianças estão sendo formadas e desfeitas, onde antigos oponentes podem se unir em nome do poder. Para o eleitor atento, essa mudança não se resume a uma simples troca de partidos, mas representa uma reconfiguração das lealdades políticas, onde quem foi inimigo agora pode se tornar aliado.
A Janela Partidária: O Despertar da Coragem Política
A “Janela Partidária”, prevista para ocorrer entre março e abril de 2026, é um ponto crucial para os parlamentares. É a única oportunidade legal para que deputados federais e estaduais troquem de legenda sem sofrerem sanções por infidelidade. Até o dia 4 de abril, aqueles que não regularizarem sua filiação e domicílio eleitoral ficarão de fora das eleições de outubro.
Enquanto os deputados celebram seu “passe livre”, os vereadores enfrentam um dilema. A legislação eleitoral atual não abriga os vereadores dentro da Janela Partidária. Portanto, um vereador que mude de partido estará sujeito a perder seu mandato, revelando um cenário delicado para quem almeja uma oportunidade maior.
As exceções à regra, como a criação de novas siglas ou fusões, são difíceis de se concretizar e muitas vezes não se configuram como soluções viáveis. Para os vereadores que aspiram a uma vaga na Assembleia Legislativa ou no Congresso, a pressão é intensa: permanecer em seu partido atual ou arriscar-se em uma mudança arriscada.
O Coronel Menezes: Entre Glórias Passadas e Desafios Futuros
Para o Coronel Menezes do PP, 2026 se apresenta como um divisor de águas. Após uma expressiva votação para o Senado em 2022, ele se vê agora em um cenário de isolamento, fruto de uma série de decisões erradas. Sua expulsão do PL e os conflitos com figuras influentes, como o deputado Alberto Neto, resultaram em um afastamento da estrutura bolsonarista.
O cenário político é desafiador. A perda de sua base e o questionamento sobre sua capacidade de atrair votos se intensificam, especialmente após uma tentativa frustrada de reaproximação com Bolsonaro. A falta de legado na Suframa também pesa contra sua imagem, levando analistas a alertar sobre os riscos de sua próxima candidatura.
A Ascensão de Novas Lideranças: Maria do Carmo e Alberto Neto
Em contrapartida, o PL Amazonas se fortalece, com uma chapa que promete renovação. Maria do Carmo, uma gestora educacional respeitada, é cotada para o governo, enquanto Alberto Neto se destaca como candidato ao Senado. Com o apoio de figuras como Michelle Bolsonaro, Maria do Carmo busca conquistar o eleitorado feminino e evangélico, distanciando-se das polêmicas passadas.
Plínio Valério: O Renascimento Político
Plínio Valério (PSDB) também desponta como um nome em ascensão. Após um início discreto, sua atuação em causas relevantes, como a CPI das ONGs e sua posição crítica em relação ao STF, fizeram dele um nome forte entre os eleitores. Com uma postura técnica e conciliadora, Plínio se apresenta como uma voz influente no Senado, defendendo o desenvolvimento econômico do Amazonas.
Wilson Lima e o Superbloco de Poder
O governador Wilson Lima (União Brasil) se encontra em uma encruzilhada. Sem a possibilidade de reeleição, ele deve renunciar ao cargo para tentar o Senado. Sua estratégia envolve unir a força do governo e da prefeitura em um “Superbloco”, visando consolidar poder e deslegitimar rivais como Eduardo Braga (MDB).
Omar Aziz: Um Jogo Sem Riscos
Enquanto isso, o senador Omar Aziz (PSD) inicia o ano eleitoral em uma posição confortável. Com seu mandato garantido até 2030, ele aparece como favorito nas pesquisas para o governo do estado, embora enfrente uma alta taxa de rejeição devido à sua associação com o governo federal. Seu desafio será desvincular sua imagem das polêmicas nacionais e se reafirmar como um gestor eficaz no estado.
Conclusão: O Tabuleiro da Política Amazonense em 2026
O ano de 2026 se avizinha como um divisor de águas para a política no Amazonas. As disputas vão além das candidaturas; são acertos de contas com o passado e uma aposta no futuro. Entre as novas lideranças e os veteranos, a escolha dos vices e suplentes será essencial para determinar o sucesso ou o fracasso nas urnas. O cenário está formado, e o Amazonas se prepara para um embate político que promete ser histórico.
